TSH e fertilidade: a tireoide influencia o ciclo menstrual e a gravidez, e o TSH é o exame mais usado para avaliá-la. Mas as diretrizes não concordam em tudo: a ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, 2024) concluiu que o hipotireoidismo subclínico, isto é, TSH levemente elevado com T4 normal, não está associado a mais abortamentos e que tratá-lo com levotiroxina não é recomendado para melhorar a chance de gravidez ou de nascimento; já a Associação Americana de Tireoide (ATA, 2017) recomenda dosar o TSH em todas as mulheres que buscam tratamento de infertilidade e tratar o hipotireoidismo subclínico em quem faz FIV ou ICSI. O hipotireoidismo manifesto, por sua vez, exige tratamento. Por isso, a decisão é individual e deve ser do médico que acompanha o seu caso.
Neste artigo você vai entender:
- O que é hipotireoidismo subclínico e como o TSH é interpretado
- Quando a ASRM recomenda pedir TSH em quem quer engravidar
- O que a ASRM (2024) diz sobre tratar com levotiroxina e sobre anticorpos da tireoide
- O que a ATA (2017) recomenda e por que as orientações divergem
- Por que o “TSH ideal” de 2,5 não é uma regra para todas
- Como a avaliação é feita na Fértil
O que é hipotireoidismo subclínico
O hipotireoidismo subclínico é definido por um TSH acima do limite superior do laboratório, com T4 livre normal. Já no hipotireoidismo manifesto, o TSH está elevado e o T4 livre está baixo. A diretriz da ASRM sobre hipotireoidismo subclínico em mulheres inférteis (Fertility and Sterility, maio de 2024) orienta que os laboratórios usem suas próprias faixas de referência e, quando elas não existirem, adota 4,12 mUI/L como limite superior para quem não está grávida ou está tentando engravidar. O documento também relata que valores de TSH entre 2,5 e 4,0 mUI/L não foram associados a mais abortamentos.
Quando pedir TSH em quem quer engravidar: TSH e fertilidade na prática
A ASRM não recomenda rastreamento universal da tireoide na gravidez. Recomenda a dosagem de TSH em pacientes com risco aumentado de hipotireoidismo manifesto e, na infertilidade, sugere pedir TSH e T4 quando há sinais ou sintomas, como ciclos irregulares, em vez de solicitar para todas. Na prática, esse exame costuma fazer parte da investigação inicial de fertilidade em muitos serviços, conforme o julgamento do médico; veja os exames para investigar infertilidade e o teste de fertilidade feminina.

Tratar o TSH levemente elevado melhora a chance de gravidez?
Segundo a diretriz da ASRM, não há recomendação de tratar o hipotireoidismo subclínico com levotiroxina para reduzir perda gestacional ou aumentar a gravidez clínica e os nascidos vivos, nem para melhorar o neurodesenvolvimento do bebê, tanto em mulheres que tentam engravidar quanto em gestantes. O documento explica que a maior parte dos dados favoráveis ao tratamento vem de estudos observacionais de baixa qualidade e de um ensaio que foi excluído por preocupações com a integridade dos dados; sem esse ensaio, as meta-análises não mostraram benefício do tratamento. A própria diretriz admite que novos estudos em pacientes inférteis e em FIV podem mudar essas recomendações.
Isso não significa que o hipotireoidismo manifesto deva ser ignorado: nesses casos, o tratamento é feito, e a conduta é definida pelo médico. A orientação da ASRM é uma referência científica e pode diferir de condutas adotadas por alguns serviços; a decisão sempre é individual.
Anticorpos da tireoide: vale pedir?
A ASRM não recomenda a triagem de rotina de autoimunidade tireoidiana (como anti-TPO) em mulheres inférteis ou grávidas sem sintomas. A triagem direcionada pode ser considerada em quem tem histórico de abortamentos de repetição, embora a evidência seja fraca. Para entender melhor esse tema, veja quando investigar abortos recorrentes.
O que a ATA (2017) recomenda de diferente
A diretriz da Associação Americana de Tireoide sobre tireoide e gravidez (2017), resumida em material da própria ATA, recomenda dosar o TSH em todas as mulheres que procuram tratamento de infertilidade e tratar o hipotireoidismo manifesto com levotiroxina. Para o hipotireoidismo subclínico, ela diz que faltam evidências de que a levotiroxina melhore a fertilidade, mas recomenda tratar as mulheres submetidas a FIV ou ICSI, com meta de TSH abaixo de 2,5 mUI/L, e considerar levotiroxina em baixa dose em quem usa reprodução assistida e tem anticorpos anti-TPO positivos.
Ou seja, a ATA (2017) e a ASRM (2024, mais recente e específica para infertilidade) chegam a conclusões diferentes sobre o hipotireoidismo subclínico. A ASRM revisou os estudos e retirou da análise um ensaio por preocupações com a integridade dos dados, e sem ele as meta-análises não mostraram benefício; a própria ASRM admite que novos ensaios podem mudar a orientação. Enquanto isso, é comum que serviços adotem condutas distintas, e o médico escolhe com base no seu caso.
O “TSH ideal abaixo de 2,5” vale para todas?
Muita gente ouve que o TSH ideal para engravidar é menor que 2,5. Esse número aparece na diretriz da ATA como meta para mulheres em FIV ou ICSI com hipotireoidismo subclínico. A ASRM relata que valores entre 2,5 e 4,0 mUI/L não foram associados a aumento de abortamentos, e que o limite deve seguir a faixa do laboratório ou o ponto de 4,12 mUI/L. Por isso, interpretar um TSH de 3,0, por exemplo, depende do contexto clínico, dos sintomas, de outros exames e do protocolo do serviço, e não de um número isolado. Procure sempre o médico que acompanha seu caso antes de iniciar ou suspender qualquer medicação.
Tireoide e outras causas de infertilidade
Alterações da tireoide são apenas uma das possíveis explicações para dificuldade de engravidar. A avaliação completa inclui, entre outros pontos, fator ovulatório, reserva ovariana, trompas, útero e sêmen. Condições como a síndrome dos ovários policísticos podem causar ciclos irregulares e merecem avaliação específica. Veja também avaliação clínica de fertilidade.
Avaliação da tireoide e da fertilidade em Montes Claros: como é na Fértil
Na Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros (MG), a investigação do casal parte da história clínica e define, a cada caso, quais exames são realmente necessários, evitando solicitar exames sem indicação. Para quem mora fora de Montes Claros, a primeira consulta pode ser feita por telemedicina e muitos exames iniciais podem ser feitos na cidade de origem, com envio dos resultados pelo WhatsApp. Conheça a clínica de FIV em Montes Claros ou agende uma primeira consulta.
Perguntas frequentes sobre TSH e fertilidade
TSH e fertilidade: TSH alto impede de engravidar?
O TSH levemente elevado, com T4 normal (hipotireoidismo subclínico), não tem comprovação clara de causar infertilidade, segundo a diretriz da ASRM de 2024. O hipotireoidismo manifesto, no entanto, deve ser avaliado e tratado pelo médico.
Qual TSH é considerado normal para quem quer engravidar? (TSH e fertilidade)
Depende da faixa de referência do laboratório. Na ausência dela, a ASRM adota 4,12 mUI/L como limite superior para quem tenta engravidar. A interpretação deve considerar o contexto clínico.
Preciso tomar levotiroxina se meu TSH está um pouco alto?
Depende. A ASRM (2024) não recomenda tratar o hipotireoidismo subclínico para melhorar a gravidez ou o nascimento, enquanto a ATA (2017) recomenda tratar em quem faz FIV ou ICSI, com meta de TSH abaixo de 2,5. A conduta é individual, e você não deve iniciar ou suspender o medicamento sem orientação médica.
Todas as mulheres que querem engravidar devem pedir TSH?
As diretrizes divergem. A ASRM (2024) não recomenda rastreamento universal e sugere pedir TSH e T4 quando há sinais ou sintomas; a ATA (2017) recomenda dosar o TSH em todas as mulheres que buscam tratamento de infertilidade. Na prática, muitos serviços incluem o TSH na investigação inicial, a critério do médico.
Devo pedir o anticorpo anti-TPO?
A ASRM não recomenda triagem de rotina de autoimunidade tireoidiana em mulheres sem sintomas. Pode ser considerada em quem tem histórico de abortamentos de repetição, embora a evidência seja fraca.
TSH entre 2,5 e 4,0 aumenta o risco de aborto?
Segundo a diretriz da ASRM, valores nessa faixa não foram associados a aumento do risco de abortamento. A avaliação, porém, deve ser individualizada.
Em resumo
- O hipotireoidismo subclínico é TSH levemente elevado com T4 normal.
- A ASRM (2024) não recomenda tratá-lo com levotiroxina para melhorar a gravidez ou o nascimento; a ATA (2017) recomenda tratar em quem faz FIV ou ICSI.
- As diretrizes divergem também sobre rastrear todas as mulheres com infertilidade.
- O hipotireoidismo manifesto é diferente e exige acompanhamento e tratamento médicos.
- Decida sempre com o médico que acompanha seu caso.
Quer esclarecer seu caso com uma avaliação individualizada? Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp: (38) 99730-0133.
Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699, RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com atuação pioneira em Montes Claros desde 1997.
Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio, Dr. Matheus Coelho Prudêncio (CRM-MG 79730, RQE 66367) e Rubia Coelho Prudêncio.
Fontes científicas
- American Thyroid Association. American Thyroid Association Task Force Updates Guidelines on Thyroid Disease and Pregnancy. Clinical Thyroidology for the Public, maio de 2017 (resumo da diretriz de Alexander, Pearce et al., Thyroid, 2017).
- ASRM Practice Committee. Subclinical hypothyroidism in the infertile female population: a guideline. Fertility and Sterility, maio de 2024.

