Alimentação e fertilidade: o que a evidência científica mostra antes de iniciar o tratamento
A alimentação pode influenciar a fertilidade, mas as evidências científicas ainda são limitadas: não existe um alimento isolado que garanta engravidar, e a maior parte dos estudos avalia hábitos alimentares associados a menor risco de infertilidade por falta de ovulação, não uma dieta que aumente as chances de sucesso em tratamentos como a FIV. Ainda assim, alguns hábitos com respaldo científico podem ser incorporados antes e durante o tratamento.
Neste artigo você vai entender:
- O que a ciência realmente sustenta sobre alimentação e fertilidade
- O papel do ácido fólico e de outros suplementos básicos
- O padrão alimentar associado a menor risco de infertilidade ovulatória
- Hábitos que podem prejudicar a fertilidade, além da alimentação
- Como o peso corporal se relaciona com esse tema
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Existe mesmo uma “dieta da fertilidade”? O que diz a ciência
O termo “dieta da fertilidade” é popular, mas precisa de cautela. Uma revisão de referência da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) sobre otimização da fertilidade natural afirma que ainda falta evidência robusta de que intervenções dietéticas e de estilo de vida melhorem a fertilidade natural em mulheres sem alteração de ovulação. Isso não significa que a alimentação seja irrelevante — significa que ela deve ser vista como parte de um conjunto de hábitos saudáveis, e não como uma solução isolada ou garantida.
A maior parte dos estudos nessa área avalia associação, não causa e efeito comprovado, e boa parte dos dados vem de pesquisa sobre concepção natural — há menos evidência específica sobre o efeito da dieta nos resultados de tratamentos de reprodução assistida, como a FIV.
Ácido fólico: a recomendação com mais consenso
Entre as orientações nutricionais relacionadas à pré-concepção, a suplementação de ácido fólico é a que reúne maior consenso: a recomendação é de pelo menos 400 microgramas por dia, para reduzir o risco de defeitos do tubo neural no bebê. Essa orientação vale tanto para quem está tentando engravidar naturalmente quanto para quem está em tratamento de reprodução assistida, e deve ser sempre conversada com a equipe médica, que pode ajustar a dose conforme o caso.
O padrão alimentar associado a menor risco de infertilidade ovulatória
Um dos conjuntos de dados mais citados nessa área vem do Nurses’ Health Study II, um grande estudo observacional que acompanhou hábitos alimentares e fertilidade ao longo do tempo. Um padrão alimentar associado a menor risco de infertilidade por fator ovulatório incluía, de forma combinada: maior proporção de gorduras monoinsaturadas (presentes em azeite de oliva, oleaginosas e abacate, por exemplo), mais proteína de origem vegetal em relação à animal, carboidratos de baixo índice glicêmico, laticínios integrais em vez de desnatados, e suplementação de ferro.
Outros itens apontados como potencialmente favoráveis incluem multivitamínicos, ômega-3, grãos integrais, vegetais, peixe e isoflavonas de soja. Já gordura trans, carnes processadas e uma dieta com carga glicêmica muito alta aparecem associadas a pior desempenho reprodutivo nesses estudos. Vale reforçar: são associações observadas em populações, não garantias individuais — a resposta de cada pessoa depende do quadro clínico completo.
Hábitos que também pesam — além do prato
A alimentação não deve ser vista isoladamente. Segundo a mesma revisão da ASRM, outros fatores de estilo de vida têm impacto reconhecido sobre a fertilidade:
- Álcool: consumo acima de duas doses por dia deve, em geral, ser evitado; o consumo deve cessar completamente durante a gestação.
- Cafeína: consumo elevado (acima de 500 mg/dia, o equivalente a mais de 5 xícaras de café) é associado a redução da fertilidade; o consumo moderado, de 1 a 2 xícaras diárias, não mostra efeito adverso relevante nos estudos disponíveis.
- Tabagismo: tem efeito negativo bem documentado sobre a fertilidade — mulheres fumantes têm chance significativamente maior de apresentar infertilidade. O cigarro eletrônico também é desaconselhado pelos mesmos motivos.
- Peso corporal: tanto o baixo peso quanto a obesidade estão associados a menores taxas de fertilidade — o tema é tratado com mais detalhe no artigo sobre influência do peso na fertilidade feminina.
Alimentação em Montes Claros: quando vale associar uma avaliação individualizada
Antes de mudar a alimentação de forma significativa pensando em engravidar, o mais seguro é passar por uma avaliação clínica de fertilidade. Isso vale ainda mais para quem já está em investigação ou tratamento: restrições alimentares muito rígidas, adotadas por conta própria, podem inclusive prejudicar o preparo do corpo para procedimentos como a FIV, em vez de ajudar. A equipe da Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros, pode orientar sobre hábitos alimentares dentro do contexto clínico de cada paciente.
Perguntas frequentes sobre alimentação e fertilidade
Existe algum alimento que aumente as chances de engravidar?
Não há evidência de que um alimento isolado aumente as chances de gravidez. O que existe é associação entre um padrão alimentar mais equilibrado, como um todo, e menor risco de infertilidade relacionada à ovulação — não uma garantia individual.
Preciso tomar suplementos antes de engravidar?
O ácido fólico (mínimo 400 microgramas por dia) é a recomendação com maior consenso antes da concepção. Outros suplementos devem ser avaliados individualmente com a equipe médica, conforme exames e histórico.
Dieta vegetariana ou vegana prejudica a fertilidade?
Não necessariamente. O que os estudos associam a menor risco é maior proporção de proteína vegetal em relação à animal, mas uma dieta vegetariana ou vegana bem planejada, com acompanhamento nutricional, pode ser compatível com a fertilidade.
Posso tomar café durante o tratamento de fertilidade?
O consumo moderado, de 1 a 2 xícaras por dia, não mostra efeito adverso relevante nos estudos disponíveis. Consumo elevado (acima de 5 xícaras/dia) é associado a redução da fertilidade e deve ser evitado.
Mudar a alimentação substitui a necessidade de tratamento médico?
Não. A alimentação é um hábito complementar, não um tratamento. Causas estruturais ou hormonais de infertilidade precisam de avaliação e, quando indicado, tratamento médico específico.
Em resumo
- A evidência de que a dieta, isoladamente, melhora a fertilidade ainda é limitada — ela deve ser vista como parte de um conjunto de hábitos saudáveis.
- Ácido fólico (mínimo 400 mcg/dia) é a recomendação nutricional com mais consenso antes de tentar engravidar.
- Um padrão alimentar com mais gorduras monoinsaturadas, proteína vegetal, carboidratos de baixo índice glicêmico e laticínios integrais é associado a menor risco de infertilidade ovulatória.
- Álcool em excesso, cafeína em excesso, tabagismo e peso corporal fora da faixa saudável têm impacto reconhecido sobre a fertilidade.
- Mudanças alimentares significativas, especialmente durante tratamento, devem ser discutidas com a equipe médica.
Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp: (38) 99730-0133.
Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699 | RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com atuação pioneira em Montes Claros desde 1997.
Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio (CRM-MG 25699 | RQE 8172), Dr. Matheus Coelho Prudêncio (CRM-MG 79730 | RQE 66367) e Rubia Coelho Prudêncio.
Fontes científicas
- Optimizing natural fertility: a committee opinion. American Society for Reproductive Medicine (ASRM), 2022.
Conteúdo educativo; as orientações individuais da equipe assistencial devem ser seguidas.

