A síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO) é uma complicação conhecida da estimulação para fertilização in vitro. A forma grave é rara e, hoje, muito mais evitável do que no passado. Saber reconhecer os sinais e conversar com a equipe sobre prevenção ajuda a fazer o tratamento com segurança.

O que é a SHO
Na SHO, os ovários respondem de forma exagerada aos medicamentos de estimulação ou ao hormônio hCG. Aumentam de tamanho e liberam substâncias que fazem o líquido sair dos vasos e se acumular no abdome e, nos casos mais graves, no tórax. Veja como é a estimulação em geral em estimulação ovariana na FIV.
Quem tem mais risco
Os fatores mais associados são idade jovem, muitos folículos antrais e AMH elevado, síndrome dos ovários policísticos, baixo peso e episódio anterior de SHO. Por isso a dose é individualizada desde a primeira consulta, e a equipe monitora a resposta por ultrassom durante a estimulação.
Sinais de alerta
Leves a moderados: distensão e desconforto abdominal, náuseas, sensação de estufamento, aumento rápido de peso nos dias após a coleta. Costumam melhorar com repouso relativo, hidratação e acompanhamento.
Sinais de gravidade, que pedem contato imediato com a clínica ou pronto atendimento: dor abdominal intensa, vômitos persistentes, urinar muito pouco, falta de ar, tontura ou desmaio, inchaço rápido das pernas ou do abdome. Se isso acontecer fora do horário comercial, procure um pronto atendimento e avise a equipe.
Se ocorrer gravidez, os sintomas podem demorar mais para passar, porque o hCG da própria gestação mantém o estímulo. Por isso é importante manter o contato com a clínica mesmo depois da transferência. Veja também cuidados após a transferência de embriões.
Como se previne
A diretriz da ESHRE sobre estimulação ovariana recomenda estratégias para pacientes com resposta esperada alta, entre elas:
- doses individualizadas de gonadotrofina, escolhidas conforme idade, AMH e contagem de folículos;
- protocolo com antagonista de GnRH, que permite maior flexibilidade;
- uso de agonista de GnRH como gatilho da ovulação, em vez de hCG, que reduz muito o risco;
- congelamento de todos os embriões, com transferência em um ciclo posterior (estratégia chamada freeze-all).
Quando congelar todos os embriões
Quando o risco de SHO é alto, congelar os embriões e transferir depois, em um ciclo em que o organismo já se recuperou, evita que a gravidez da transferência fresca prolongue ou agrave o quadro. Em geral isso não reduz a chance de gestação: a transferência de embriões congelados é uma prática consolidada. Entenda a comparação em embriões congelados ou frescos.
A decisão de congelar tudo é tomada pela equipe com base na resposta ao estímulo, geralmente no dia do gatilho ou após a coleta. Se for sugerido, não é um fracasso do ciclo: é uma medida de segurança.
Perguntas frequentes
A SHO é comum na FIV?
As formas leves são relativamente frequentes e costumam passar sozinhas. A forma grave é rara, e as estratégias de prevenção atuais reduziram bastante a sua ocorrência.
Quanto tempo dura a SHO?
Sem gravidez, os sintomas costumam melhorar em cerca de uma semana. Com gravidez, podem persistir por mais tempo. Mantenha o acompanhamento com a clínica.
Posso fazer uma nova estimulação depois de ter tido SHO?
Sim, na maioria dos casos. O protocolo seguinte é ajustado, com dose menor e estratégias de prevenção, como o gatilho com agonista e o congelamento de todos os embriões.
Congelar todos os embriões diminui as chances de gravidez?
Não é o que a prática mostra. A transferência de embriões congelados em ciclo preparado é uma estratégia consolidada, e em pacientes com muitos óvulos pode ser até vantajosa.
Qual sintoma devo temer mais?
Falta de ar, pouca urina, dor intensa e desmaio. Qualquer um deles justifica contato imediato com a clínica ou ida a um pronto atendimento.
Quer conversar sobre o seu caso?
Cada situação tem particularidades. Para uma avaliação individual com nossa equipe, fale conosco pelo WhatsApp (38) 99730-0133. Quem mora fora de Montes Claros pode começar com uma consulta por telemedicina e vir à clínica somente quando necessário.
Conteúdo informativo, com revisão médica do Dr. Orestes Prudêncio (CRM-MG 25699 | RQE 8172). Não substitui consulta médica.
Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio, Dr. Matheus Coelho Prudêncio e Rubia Coelho Prudêncio.
Fontes
- Bosch E, et al. ESHRE guideline: ovarian stimulation for IVF/ICSI. Hum Reprod Open 2020;2020(2):hoaa009. ESHRE.
- ASRM Practice Committee. Prevention and treatment of moderate and severe ovarian hyperstimulation syndrome. ASRM / ReproductiveFacts.org.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.320/2022.
- REDLARA. Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida, registro e boas práticas.
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