HomeAvaliaçõesA ClínicaNotíciasComplicações da FIVInstagramEbooksPor que a Fértil?
Pular para o conteúdo

Infertilidade feminina e cirurgia: quando investigar o aparelho reprodutor

Cirurgia e infertilidade feminina: quando investigar e quando operar

A cirurgia pode tratar alterações anaômicas relacionadas à infertilidade, mas não é necessária para toda mulher que tem dificuldade para engravidar. A decisão depende do diagnóstico, sintomas, idade, reserva ovariana, tempo de infertilidade e impacto esperado sobre gravidez natural ou fertilização in vitro (FIV).

Na Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros, exames e cirurgias são planejados dentro da avaliação completa do casal. Operar sem uma pergunta clínica clara pode acrescentar riscos e atrasar o tratamento mais adequado.

Resposta direta
Histeroscopia avalia e trata principalmente a cavidade uterina. Laparoscopia permite abordar a pelve, tubas, ovários e endometriose. Nenhuma delas deve ser solicitada rotineiramente para todas as pacientes inférteis.

Histeroscopia e laparoscopia: qual é a diferença?

Histeroscopia
Uma câmera fina atravessa o colo para visualizar a cavidade uterina. Pode investigar ou remover pólipos, miomas submucosos, sinéquias e algumas alterações do septo.
Videolaparoscopia
Acessa a cavidade abdominal por pequenas incisões. Pode tratar endometriose, aderências, hidrossalpinge, cistos selecionados e outras alterações pélvicas.

Quando investigar a cavidade uterina?

A ultrassonografia transvaginal, muitas vezes associada à infusão salina, costuma ser a avaliação inicial. A histeroscopia pode ser indicada diante de sangramento uterino anormal, suspeita de pólipo ou mioma intracavitário, sinéquias, malformação, achado inconclusivo ou necessidade de tratamento dirigido.

A histeroscopia de rotina antes da primeira FIV não é obrigatória quando a cavidade parece normal nos exames e não há indicação clínica. Em falhas de implantação, a investigação deve revisar embriões, cavidade, técnica de transferência e demais fatores, sem atribuir automaticamente o insucesso ao útero.

Pólipos endometriais

Pólipos podem interferir na cavidade, mas o efeito depende de tamanho, localização, sintomas e contexto reprodutivo. A retirada histeroscópica pode ser considerada antes de tentativas naturais, inseminação ou transferência embrionária quando o achado é relevante. Pequenos pólipos assintomáticos exigem decisão individualizada, não remoção automática.

Miomas e fertilidade

  • Submucosos: deformam a cavidade e são os que mais frequentemente justificam tratamento histeroscópico.
  • Intramurais: a decisão depende de tamanho, proximidade e deformação da cavidade, sintomas e histórico reprodutivo.
  • Subserosos: em geral têm menor impacto direto sobre a fertilidade e raramente são removidos apenas com esse objetivo.

A miomectomia pode causar sangramento, aderências, cicatriz uterina e necessidade de intervalo antes da gravidez. O benefício precisa superar esses riscos.

Sinéquias uterinas

Aderências dentro do útero podem surgir após curetagens, infecções ou cirurgias. Quando prejudicam a cavidade, o endométrio ou o fluxo menstrual, a lise histeroscópica pode ser indicada. Casos extensos podem exigir reavaliação da cavidade e medidas para reduzir recorrência.

Septo uterino

O septo está mais claramente associado a perdas gestacionais do que à infertilidade isolada. A ressecção histeroscópica não deve ser apresentada como obrigatória para toda paciente. História obstétrica, anatomia, riscos do procedimento e incertezas sobre benefício devem fazer parte da decisão compartilhada.

Endometriose: operar ou seguir para reprodução assistida?

A endometriose pode ser tratada cirurgicamente quando há dor importante, suspeita de comprometimento de órgãos, anatomia pélvica alterada ou outra indicação clínica. Porém, cirurgia ovariana pode reduzir a reserva ovariana, especialmente em endometriomas bilaterais, recorrentes ou após procedimentos prévios.

Em pacientes com idade reprodutiva avançada, baixa reserva ou necessidade provável de FIV, o tempo e o impacto sobre os ovários precisam ser cuidadosamente avaliados. Nem toda endometriose deve ser operada antes da FIV.

Hidrossalpinge e alterações tubárias

Hidrossalpinge é uma tuba dilatada por líquido e pode reduzir a chance de implantação na FIV. Em casos confirmados e clinicamente relevantes, salpingectomia ou oclusão tubária proximal pode ser discutida antes da transferência. A escolha considera aderências, risco cirúrgico e preservação do suprimento sanguíneo ovariano.

Cirurgias reparadoras das tubas podem fazer sentido em pacientes selecionadas. Gravidade da lesão, idade e risco de gravidez ectópica devem ser comparados com a possibilidade de FIV.

Como decidir entre cirurgia e tratamento de fertilidade?

Diagnóstico
A alteração explica sintomas ou pode comprometer a gestação?
Tempo
Idade e reserva permitem recuperação e novas tentativas?
Benefício
Há evidência de melhora no desfecho relevante para este caso?
Riscos
Sangramento, infecção, aderências e impacto ovariano foram discutidos?

O planejamento pode envolver tentativa natural, coito programado, inseminação intrauterina, cirurgia ou FIV. Não existe uma sequência obrigatória para todas as pacientes.

Perguntas frequentes

A histeroscopia dói?

O desconforto varia conforme técnica, diâmetro do equipamento e necessidade de tratamento. Procedimentos ambulatoriais podem dispensar anestesia; cirurgias maiores podem exigir sedação ou anestesia.

Preciso fazer histeroscopia antes da FIV?

Não obrigatoriamente. Ela é indicada quando sintomas ou exames sugerem alteração da cavidade, ou em situações selecionadas após avaliação clínica.

Quanto tempo esperar para tentar engravidar?

Depende do procedimento e da cicatrização. A orientação após pólipo pequeno é diferente daquela após miomectomia ou cirurgia extensa de endometriose.

A cirurgia garante gravidez?

Não. Ela pode corrigir um fator anatômico, mas idade, óvulos, espermatozoides, embriões e outros fatores continuam influenciando o resultado.

Quando devo procurar avaliação?

Após 12 meses de tentativas quando a mulher tem menos de 35 anos, após 6 meses a partir dos 35, e mais cedo diante de dor pélvica, ciclos alterados, perdas gestacionais ou cirurgia pélvica prévia.

Precisa avaliar se uma cirurgia ajuda ou atrasa seu plano reprodutivo?
Converse com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp (38) 99730-0133.

Revisão médica: Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699, especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da UFMG, com mais de 30 anos de atuação em Montes Claros.

Fontes científicas consultadas