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Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

A Síndrome dos Ovários Policísticos, também identificada pela sigla SOP, é um distúrbio hormonal muito comum que se caracteriza pela presença de diversos pequenos cistos nos ovários, o que pode causar sintomas e alterações variadas no organismo, entre elas, a dificuldade para engravidar.

SOP agora é SOMP (PMOS): o que mudou?

Atualização de 2026: um consenso internacional renomeou a antiga Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) — em inglês, Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome (PMOS).

Por que o nome mudou?

O termo anterior concentrava a atenção nos “ovários policísticos”, embora:

  • os achados vistos ao ultrassom geralmente sejam folículos com desenvolvimento interrompido, e não cistos patológicos;
  • muitas mulheres com a síndrome não apresentem morfologia ovariana policística;
  • a condição envolva múltiplos sistemas e possa incluir alterações hormonais, resistência à insulina, riscos metabólicos e cardiovasculares, além dos aspectos reprodutivos.

O novo nome foi definido por um processo de consenso global publicado em maio de 2026 na revista The Lancet. Participaram 56 organizações científicas, clínicas e de pacientes de vários países, incluindo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Leia o consenso internacional no The Lancet.

Esta é uma condição bastante comum e que pode acometer mulheres de todas as idades, embora seja mais frequente em idade jovem.

Estima-se que a Síndrome dos Ovários Policísticos afete cerca de 7% das mulheres em idade reprodutiva, embora um número muito maior de pacientes apresente cistos ovarianos.

É importante entender que uma pessoa ter ovários policísticos não significa necessariamente ter a síndrome e sofrer com seus sintomas.

Para caracterizar a SOP, é necessário que a paciente apresente ciclo menstrual irregular e aumento de hormônios masculinos, que podem ser vistos ao exame ou clinicamente.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

Ainda não se conhece a causa específica que leva ao desenvolvimento da Síndrome dos Ovários Policísticos, mas sabe-se que metade das mulheres com essa síndrome tem problemas hormonais, como excesso de produção de insulina pelo pâncreas. 

O restante delas apresenta problemas nas glândulas hipotálamo, hipófise e adrenais, produzindo maior quantidade de hormônios masculinos.

A SOP pode ainda estar associada à herança genética, a problemas de metabolismo e à obesidade. Além disso, um estilo de vida inadequado — com alimentação pouco saudável e ausência de atividades físicas — é frequentemente apontado como uma das prováveis causas da doença.

O diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos geralmente é feito por um médico ginecologista com base na identificação dos sintomas e na análise de exames de sangue, para dosagem de hormônios, e ultrassonografia. Para a confirmação da alteração é necessário que a mulher, obrigatoriamente, apresente pelo menos dois dos seguintes critérios:

  • Irregularidade menstrual, com ciclos de intervalos longos;
  • Presença de múltiplos cistos visíveis por meio de ultrassonografia;
  • Características clínicas ou laboratoriais que apontem para o aumento dos hormônios masculinos.

Com base nesses critérios é possível afirmar que mesmo mulheres que menstruam regularmente podem ter a SOP, ao passo que pacientes que sofrem com o problema não necessariamente vão apresentar vários cistos visíveis no ovário.

A Síndrome dos Ovários Policísticos geralmente é mal diagnosticada e não tratada. A SOP sem tratamento pode levar a uma série de condições mais sérias de saúde, como aumento do risco de diabetes tipo 2, infertilidade, apneia do sono, gordura não alcoólica no fígado, doenças cardiovasculares, depressão ou até mesmo câncer no útero.

Os sintomas da SOP geralmente começam a se manifestar na puberdade e tendem a piorar com o passar dos anos. As manifestações clínicas associadas à alteração podem variar de uma mulher para outra e conforme ocorrem mudanças hormonais. Os principais sintomas da A Síndrome dos Ovários Policísticos são:

  • Menstruação irregular ou ausência de menstruação;
  • Dificuldade para engravidar;
  • Aumento da oleosidade da pele e formação de acne;
  • Aparecimento de pelos no rosto e no corpo;
  • Aumento do peso corporal;
  • Queda de cabelo;
  • Aparecimento de manchas na pele, principalmente na região das axilas e atrás do pescoço;
  • Aumento dos seios;
  • Mudanças de humor, com crises de depressão e cefaleia.

No caso de mulheres obesas, a perda de peso ajuda a reverter o quadro. Se a obesidade não for um fator de risco para a SOP, é possível que o médico indique um tratamento para o controle da produção de hormônios masculinos. Alguns dos medicamentos recomendados para esse fim podem também ajudar na regulação da menstruação, na redução da produção de sebo pelas glândulas sebáceas e na diminuição do crescimento de pelos.

O uso de contraceptivos hormonais orais também pode ajudar na regulação dos ciclos menstruais, minimizando também os riscos de câncer do endométrio.

Como na SOP há tendência ao ganho de peso, o tratamento pode incluir medicamentos para prevenir o diabetes e outros para evitar o colesterol elevado. Os casos de infertilidade também respondem bem ao tratamento com medicamentos.

A Síndrome dos Ovários Policísticos é um importante fator de infertilidade feminina; estima-se que o problema esteja relacionado a 30% dos casos em que a dificuldade para engravidar está associada ao organismo da mulher. Isso acontece porque a SOP é causada por um desequilíbrio hormonal que, entre outras coisas, leva a alterações no ciclo ovulatório e menstrual.

Como consequência desse processo, a tendência é que a paciente com SOP tenha mais dificuldades para engravidar naturalmente, especialmente se não houve um controle adequado da doença ao longo dos anos.

Para as pacientes com Síndrome dos Ovários Policísticos que desejam engravidar, o tratamento de escolha normalmente é a indução da ovulação por meio de medicamentos orais como o letrozol e o citrato de clomifeno. A administração desses fármacos deve ser monitorada por meio de ultrassonografias que avaliam a resposta ovariana, cabendo ao especialista ajustar a dose utilizada para alcançar uma resposta adequada e evitar hiperestimulação e gestação múltipla.

No caso de pacientes com SOP que apresentam resistência à insulina, o medicamento utilizado é a metformina — que, dependendo do quadro, pode ser associado aos indutores de ovulação. Nos casos em que não houve resposta satisfatória a esses tratamentos, pode ser indicada a aplicação de hormônios injetáveis para estimulação ovariana. É fundamental que todos esses tratamentos sejam recomendados e conduzidos por um especialista.

Para aumentar as chances de gestação, o uso desses medicamentos pode ser combinado à técnica de coito programado, que consiste basicamente no acompanhamento do ciclo fértil e manutenção de relações sexuais no período mais favorável a uma gestação. Dependendo do caso, pode ser recomendada a realização de um procedimento de inseminação intrauterina ou de alta complexidade, como a fertilização in vitro.

A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma condição que não tem cura, mas o tratamento adequado é capaz de prevenir as consequências do problema. Para conviver bem com a SOP, geralmente é recomendado que a paciente faça mudanças significativas em seu estilo de vida, adotando uma alimentação equilibrada, praticando exercícios físicos regularmente e realizando o devido acompanhamento médico. Portanto:

– Faça os exames ginecológicos sempre que o médico solicitar;
– Não se descuide. Mulheres com a Síndrome dos Ovários Policísticos correm maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares na menopausa;
– Mantenha o peso controlado. A obesidade agrava os sintomas da Síndrome dos Ovários Policísticos, além de causar uma série de complicações.

Para saber mais a respeito da Síndrome dos Ovários Policísticos e como este problema pode ser contornado para a concretização do sonho da maternidade, entre em contato e agende uma consulta com os profissionais da Fértil.

Dr. Orestes Prudêncio, médico especialista em reprodução humana da Fértil

Dr. Orestes Prudêncio

Especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas-UFMG | Crm

Sou o Dr. Orestes, sócio fundador da Fértil, Clínica de Reprodução Humana. Nós temos como propósito realizar o sonho dos casais de conceber uma nova vida! 

Para isso, contamos com equipe multidisciplinar composta por especialistas em reprodução humana, ginecologistas, obstetras, entre outros.

Período fértil: o que é e como calcular?

Quando a mulher está tentando engravidar, mesmo que mantenha relações sexuais regulares com o parceiro, o sexo só pode resultar em gravidez em um curto período de tempo, conhecido como período fértil ou janela fértil.

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SOP causa infertilidade? Como diagnosticar e tratar

Resposta direta: a síndrome dos ovários policísticos (SOP) pode dificultar a gravidez principalmente por causar ovulação irregular, mas muitas mulheres engravidam naturalmente ou com tratamento. Ter ovários com aparência policística no ultrassom, isoladamente, não confirma SOP.

Infográfico: os pilares do diagnóstico em adultas

Ovulação irregular: ciclos ausentes, muito longos ou com grande variação.

Excesso de andrógenos: sinais clínicos, como aumento de pelos, ou exames laboratoriais.

Morfologia ovariana: ultrassonografia ou AMH conforme critérios e contexto, sem usar os dois indiscriminadamente.

Regra central: combinar critérios e excluir outras causas; não existe um exame único que diagnostique SOP.

SOP é apenas um problema de fertilidade?

Não. A diretriz internacional de 2023 recomenda atenção a metabolismo, pressão arterial, glicose, sono e saúde emocional. Antes da gravidez ou do tratamento de fertilidade, o teste oral de tolerância à glicose pode ser considerado. Dosagens rotineiras de “resistência à insulina” têm utilidade clínica limitada e não são recomendadas como diagnóstico de SOP.

Como tratar quando o objetivo é engravidar?

Primeiro são avaliados ovulação, trompas e sêmen. Há benefícios em alimentação saudável, movimento, sono e cessação do tabaco mesmo sem perda de peso, evitando culpa ou estigma. Para infertilidade anovulatória por SOP sem outros fatores, o letrozol é recomendado antes do citrato de clomifeno para melhorar ovulação, gravidez clínica e nascimento com vida. A prescrição deve ser individual. Veja fator ovulatório e avaliação do casal.

Atendimento em Montes Claros e Norte de Minas

A Fértil Reprodução Humana integra sintomas, ciclos, ultrassonografia, exames metabólicos e planejamento reprodutivo para decidir entre orientação, coito programado, indução de ovulação ou reprodução assistida.

Perguntas frequentes sobre SOP

Todo ovário policístico no ultrassom é SOP?

Não. A morfologia pode existir sem a síndrome. O diagnóstico exige critérios clínicos e exclusão de outras causas.

AMH alto confirma SOP?

Não isoladamente. Em adultas, o AMH pode substituir o ultrassom em algoritmos específicos, mas não deve ser usado como teste único.

Adolescentes podem receber o mesmo diagnóstico?

O diagnóstico na adolescência exige cautela. Ultrassom e AMH não são recomendados para diagnóstico, pois características normais da puberdade podem imitar SOP.

Metformina é tratamento para todas?

Não. A indicação depende de características metabólicas e reprodutivas. Ela não substitui avaliação individual nem é sempre a primeira opção para induzir ovulação.

SOP aumenta riscos na gravidez?

Pode estar associada a maior risco de hiperglicemia, hipertensão e outras complicações. Avaliação pré-concepcional e acompanhamento obstétrico são importantes.

Ciclos irregulares ou suspeita de SOP?

WhatsApp: (38) 99730-0133

Revisão médica

Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699, especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da UFMG, com mais de 30 anos de atuação em Montes Claros. Material educativo; diagnóstico e medicamentos exigem avaliação individual.

Fontes científicas consultadas