Como é feita a transferência de embriões? É um procedimento breve, feito com um cateter fino que deposita o embrião no interior do útero, em geral com acompanhamento por ultrassom, sem cortes e, na maior parte dos casos, sem anestesia. Envolve preparo do endométrio, escolha do embrião, checagem da identificação, a passagem do cateter e um período curto de observação. O teste de gravidez (beta hCG) costuma ser feito cerca de duas semanas depois. Os detalhes variam conforme o serviço e o caso de cada paciente.
Neste artigo você vai entender:
- Como é o preparo do endométrio e o que acontece no dia da transferência, passo a passo
- Se a transferência dói, se precisa de anestesia e se é preciso repouso
- Quantos embriões transferir: o que dizem a Resolução CFM 2.320/2022 e as diretrizes da ASRM
- Diferença entre transferência a fresco e de embrião congelado, e quando é feito o teste de gravidez
- Como funciona para quem mora fora de Montes Claros

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O que é a transferência de embriões e em que momento da FIV ela acontece?
A transferência é a última etapa de um ciclo de fertilização in vitro (FIV): depois que os óvulos foram coletados, fertilizados e cultivados em laboratório, um ou mais embriões são colocados no útero para que possam se implantar. Da estimulação ovariana até a transferência de embrião, o ciclo costuma levar de 15 a 17 dias. Para ver o ciclo completo, leia nosso passo a passo da fertilização in vitro.
É importante não confundir: a FIV, com a fecundação em laboratório e a transferência do embrião, é diferente da inseminação artificial, em que os espermatozoides preparados são depositados no útero e a fecundação acontece dentro do corpo da mulher. Na inseminação artificial não há embrião a transferir.
Como é feito o preparo para a transferência?
Preparo do endométrio
O embrião precisa encontrar um endométrio (a camada interna do útero) receptivo. Por isso, o médico acompanha a espessura e o aspecto do endométrio por ultrassom, e pode usar medicamentos (como estrogênio e progesterona) para sincronizar o útero com a fase de desenvolvimento do embrião. Em ciclos com embrião congelado, esse preparo pode ser feito em ciclo natural ou com reposição hormonal, conforme a avaliação individual.
Preparo no dia
Alguns serviços pedem que a paciente chegue com a bexiga cheia, porque isso ajuda a visualizar o útero pelo ultrassom abdominal. A orientação exata (quanto de água beber e quando) é dada pela equipe na véspera. A paciente também pode ser orientada a manter o uso dos medicamentos prescritos. O guia da ASRM não avaliou a bexiga cheia como intervenção específica, por isso essa orientação segue a rotina de cada clínica.
Como é feita a transferência de embriões, passo a passo
- Confirmação e escolha do embrião. A equipe de embriologia confirma a identificação da paciente e do embrião e, com o médico, define qual embrião (ou quantos) será transferido, com base em qualidade, estágio de desenvolvimento, idade e histórico.
- Posicionamento. A paciente fica deitada em posição ginecológica, e um espéculo permite visualizar o colo do útero, que é limpo, inclusive o muco cervical.
- Passagem do cateter guiada por ultrassom. Um cateter macio e muito fino carrega o embrião em uma pequena gota de meio de cultura e é conduzido pelo canal do colo até a cavidade do útero, acompanhado pelo ultrassom.
- Liberação do embrião. O embrião é depositado na região central do útero. A ASRM descreve a posição da ponta do cateter na parte superior ou média da cavidade, a mais de 1 cm do fundo uterino.
- Retirada do cateter e checagem. O cateter é retirado e o embriologista verifica ao microscópio se o embrião não ficou retido nele; caso fique, ele é simplesmente transferido de novo.
A diretriz da ASRM (Performing the embryo transfer) aponta boa evidência para o uso de ultrassom abdominal e de cateter macio, e benefício na remoção do muco cervical.
Quanto tempo dura, dói e precisa de anestesia?
O procedimento em si costuma ser rápido, comparável a um exame ginecológico, e a paciente costuma voltar às atividades leves no mesmo dia, conforme a orientação da equipe. Pode haver desconforto leve ou sensação de pressão, mas a maioria das pacientes não precisa de anestesia. Segundo a ASRM, a anestesia de rotina não é recomendada para melhorar os resultados da transferência. Sedação só se discute em situações específicas, avaliadas individualmente pelo médico.
É preciso repouso depois da transferência?
A ASRM encontrou boa evidência de que o repouso no leito após a transferência não deve ser recomendado, e cita a deambulação logo após o procedimento. Isso quer dizer que repouso absoluto não é necessário, mas o tempo de observação no serviço e as orientações sobre atividade física, relações sexuais e medicamentos seguem a rotina da equipe. Nas horas seguintes, cólicas leves ou um pequeno sangramento podem ocorrer, mas sangramento intenso, febre ou dor forte merecem contato imediato com a clínica. Para o que fazer até o exame, veja Cuidados após a transferência de embriões: o que fazer até o beta hCG.
Quando é feito o teste de gravidez?
O teste de gravidez (beta hCG, exame de sangue) costuma ser feito cerca de duas semanas após a transferência. Fazê-lo antes pode dar resultado falso-negativo ou gerar ansiedade desnecessária. A equipe informa a data exata para o seu caso.
Quantos embriões transferir?
Transferir mais embriões não significa necessariamente mais chance de nascimento, e aumenta a chance de gestação múltipla, que traz mais riscos para a mãe e para os bebês. Por isso, a transferência de embrião único é considerada uma regra de segurança quando a situação permite.
No Brasil, a Resolução CFM 2.320/2022 estabelece limites máximos por idade: até 2 embriões para mulheres com até 37 anos; até 3 embriões para mulheres com mais de 37 anos; e, em caso de embriões euploides (com diagnóstico genético), até 2 embriões, independentemente da idade. Em doação de óvulos, considera-se a idade da doadora na coleta. Esses números são tetos, não metas.
A ASRM, no documento Guidance on the limits to the number of embryos to transfer (2021), recomenda incentivar fortemente a transferência de embrião único em pacientes com menos de 35 anos, considerar com atenção essa estratégia entre 35 e 37 anos e limitar a um embrião a transferência de embrião euploide em qualquer idade. Em casos de pior prognóstico, o número pode ser maior, desde que a paciente seja informada sobre o risco de gemelaridade. A decisão final é sempre individualizada.
Transferência a fresco ou de embrião congelado: qual a diferença?
Na transferência a fresco, o embrião é transferido no mesmo ciclo da estimulação e da coleta de óvulos. Na transferência de embrião congelado, os embriões são vitrificados e transferidos em um ciclo posterior, com preparo específico do endométrio. A escolha depende da resposta à estimulação, do risco de hiperestimulação ovariana, da necessidade de resultado de exames genéticos e de outros fatores clínicos. Veja o assunto em detalhe em Embriões congelados ou frescos: maior chance? e em Freeze-all na FIV.
Tratamento de transferência de embriões em Montes Claros, na Fértil
Na Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros — MG, a transferência é planejada pela equipe médica, liderada pelo Dr. Orestes Prudêncio, com o Dr. Matheus Coelho Prudêncio (CRM-MG 79730, RQE 66367) e a embriologista Rubia Coelho Prudêncio, a partir da avaliação individual de cada paciente: idade, histórico, qualidade dos embriões e condição do endométrio. A clínica atua desde 1997. Antes do procedimento, a paciente recebe orientações sobre preparo, medicações e o que esperar, e tem espaço para tirar dúvidas. Nenhum resultado pode ser prometido, e cada caso é conduzido de forma individualizada.
Para quem mora fora de Montes Claros
Muitas pacientes do Norte de Minas e do interior da Bahia fazem o tratamento na Fértil. O início é por telemedicina, com exames feitos na cidade da paciente e enviados por WhatsApp. Em média, são cerca de três vindas a Montes Claros (coleta e transferência). Na coleta de óvulos pode ser necessário pernoitar uma ou duas noites, o que varia conforme a resposta à medicação, avaliada no último ultrassom. A transferência de embriões, por outro lado, é feita sem pernoite: a paciente retorna para casa logo em seguida. Veja um exemplo de página para quem mora em outra cidade em FIV perto de Bocaiúva ou conheça a página inicial da Fértil. As avaliações de pacientes no Google estão neste link.
Perguntas frequentes sobre a transferência de embriões
A transferência de embriões dói?
Em geral, causa desconforto leve, semelhante a um exame ginecológico, como pressão ou pequena cólica. A maioria das pacientes não precisa de anestesia; a ASRM não recomenda anestesia de rotina para melhorar resultados. Se houver dificuldade anatômica ou muita ansiedade, o médico avalia as opções.
Quanto tempo dura a transferência de embriões?
O procedimento em si costuma ser breve. O tempo total na clínica inclui a confirmação da identificação, o posicionamento e um período curto de observação, que varia conforme a rotina do serviço. A equipe informa o horário e a duração prevista no dia.
Preciso ficar de repouso depois da transferência?
Repouso absoluto não é necessário: a ASRM encontrou boa evidência de que o repouso no leito não deve ser recomendado após a transferência. Siga as orientações da equipe sobre atividade física, medicamentos e sinais de alerta durante os dias até o beta hCG.
É obrigatório estar de bexiga cheia?
Depende da rotina do serviço. A bexiga cheia ajuda a visualizar o útero no ultrassom abdominal, e a clínica orienta como e quando beber água. Siga a instrução recebida da sua equipe, sem esforço excessivo para segurar a urina.
Quando faço o teste de gravidez após a transferência?
Cerca de duas semanas depois, com o exame de sangue beta hCG. Testes de farmácia feitos muito cedo podem dar resultado falso-negativo. A data é combinada com a equipe no dia da transferência.
Quantos embriões podem ser transferidos pela lei brasileira?
A Resolução CFM 2.320/2022 define tetos: até 2 embriões para mulheres com até 37 anos, até 3 para mais de 37 anos e até 2 em caso de embriões euploides. A quantidade realmente indicada costuma ser menor e depende de cada caso, com a transferência de embrião único como estratégia de segurança.
Transferir dois embriões aumenta a chance de engravidar?
Nem sempre, e aumenta a chance de gêmeos, que têm mais riscos obstétricos que a gestação única, segundo a ASRM. Por isso, o médico avalia idade, qualidade embrionária e histórico antes de decidir.
Quem mora longe precisa dormir em Montes Claros na transferência?
Não: na Fértil, a transferência é feita sem pernoite, e a paciente retorna para casa logo depois. O pernoite, quando necessário, acontece na coleta de óvulos, conforme a resposta à medicação.
Em resumo
- A transferência é um procedimento breve, com cateter fino guiado por ultrassom, geralmente sem anestesia, precedido pelo preparo do endométrio.
- Repouso absoluto não é necessário; a ASRM encontrou boa evidência contra o repouso no leito após o procedimento.
- O beta hCG costuma ser feito cerca de duas semanas depois da transferência.
- A Resolução CFM 2.320/2022 define tetos de embriões por idade, e a transferência de embrião único é uma regra de segurança contra gestação múltipla.
- Quem mora fora de Montes Claros faz a transferência sem pernoite, com início do tratamento por telemedicina.
Quer esclarecer seu caso com uma avaliação individualizada? Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp: (38) 99730-0133.
Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699, RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com atuação pioneira em Montes Claros desde 1997.
Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio, Dr. Matheus Coelho Prudêncio e Rubia Coelho Prudêncio.
Fontes científicas
- Practice Committees of the American Society for Reproductive Medicine. Performing the embryo transfer: a guideline. Fertility and Sterility, ASRM, 2017.
- Practice Committee of ASRM and SART. Guidance on the limits to the number of embryos to transfer: a committee opinion. Fertility and Sterility, ASRM, 2021.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.320/2022, que adota normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida. Texto oficial (CFM), 2022.
Conteúdo educativo; as orientações individuais da equipe assistencial devem ser seguidas.
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Publicado em: 17 de outubro de 2026.
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