Um estudo apresentado no congresso da ESHRE em 2026 associou a exposição a poluentes do ar, principalmente ozônio e dióxido de nitrogênio, a alterações na metilação do DNA dos espermatozoides, inclusive no gene GNAS. Os resultados são preliminares e não demonstram que a poluição reduza a chance de gravidez de um homem em particular, mas reforçam a importância de investigar a fertilidade masculina com espermograma e avaliação clínica.
Neste artigo você vai entender:
- O que a pesquisa avaliou e quais poluentes se destacaram
- O que é metilação do DNA e por que ela interessa à fertilidade
- O que outro estudo espanhol sugere sobre diferenças regionais na qualidade do sêmen
- Quais são as limitações e o que ainda não se sabe
- O que o homem pode fazer na prática
Fale com a equipe da Fértil pelo WhatsApp (38) 99730-0133.
O que o estudo encontrou?
Pesquisadores acompanharam mais de 2.000 homens em Salt Lake City (EUA), entre 2013 e 2017, com amostras de sêmen coletadas na inclusão e após 2, 4 e 6 meses. Estimaram a exposição a dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, material particulado fino e ozônio durante os cerca de três meses em que os espermatozoides se formam. Ozônio e dióxido de nitrogênio foram os poluentes com maior influência, e foram identificadas 39 alterações de metilação associadas à poluição, com destaque para o gene GNAS, ligado à qualidade do sêmen e ao desenvolvimento fetal.

O que é metilação do DNA?
É um tipo de marcação química que ajuda a regular quais genes estão ativos, sem mudar a sequência do DNA. Mudanças nessa marcação são chamadas de alterações epigenéticas. Os pesquisadores levantam a possibilidade de que elas afetem o desenvolvimento embrionário, mas isso ainda precisa ser investigado: o estudo não mediu taxa de gravidez nem saúde dos bebês.
E as diferenças regionais na qualidade do esperma?
Outro trabalho apresentado no mesmo congresso analisou 386 homens em quatro regiões da Espanha e encontrou diferenças na contagem total de espermatozoides móveis (média de 94,35 milhões no norte e 50,11 milhões no centro). Hábitos de vida semelhantes não explicaram a diferença, e os autores sugerem fatores ambientais, que não foram medidos diretamente. São achados de associação, e não permitem apontar uma causa.
Limites: o que ainda não sabemos
Os dois estudos foram divulgados em congresso e são observacionais. Eles não provam que poluição cause infertilidade, não definem um nível “seguro” de exposição e não indicam que reduzir a exposição por conta própria mude o espermograma. A qualidade do sêmen também é influenciada por tabagismo, febre, varicocele, medicamentos, idade e outros fatores, que precisam ser avaliados primeiro.
O que o homem pode fazer?
Faça o espermograma em laboratório de confiança, após o período de abstinência recomendado, e leve o resultado a um médico com experiência em reprodução. Evite cigarro, modere o álcool, evite anabolizantes e discuta qualquer medicamento em uso. Se o resultado estiver alterado, existem exames complementares e tratamentos, que variam do tratamento clínico ou cirúrgico de causas corrigíveis até técnicas de reprodução assistida como a ICSI. Na Fértil, em Montes Claros — MG, a avaliação masculina é parte do estudo do casal.
Perguntas frequentes sobre poluição do ar e fertilidade masculina
A poluição do ar causa infertilidade masculina?
Os estudos sugerem associação entre poluentes e alterações no sêmen, mas ainda não provam que a poluição seja causa de infertilidade em um homem específico.
Quais poluentes se destacaram no estudo de 2026?
O ozônio e o dióxido de nitrogênio foram os que mais influenciaram as alterações de metilação encontradas.
Mudar de cidade melhora o esperma?
Não há evidência de que isso seja necessário ou suficiente. O mais importante é investigar o espermograma e corrigir causas conhecidas.
Usar máscara ou purificador melhora a fertilidade?
Não há estudos que demonstrem esse benefício sobre a chance de gravidez, e não recomendamos substituir a avaliação médica por essas medidas.
Quando fazer o espermograma?
Quando o casal deseja engravidar e há dificuldade, o espermograma costuma ser um dos primeiros exames, junto com a avaliação da mulher.
Em resumo
- Estudo do ESHRE 2026 associou ozônio e dióxido de nitrogênio a mudanças epigenéticas no esperma.
- Os achados são preliminares e não mostram efeito sobre a chance de gravidez.
- Diferenças regionais na qualidade do sêmen foram observadas, sem causa definida.
- Espermograma e avaliação clínica continuam sendo o ponto de partida.
Quer esclarecer seu caso com uma avaliação individualizada? Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp: (38) 99730-0133.
Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699, RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com atuação pioneira em Montes Claros desde 1997.
Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio, Dr. Matheus Coelho Prudêncio (CRM-MG 79730, RQE 66367) e Rubia Coelho Prudêncio.
Fontes científicas
- Popular Science. Air pollution may be changing sperm. 6 jul. 2026 (estudo apresentado no 42º Encontro Anual da ESHRE).
- Femtech Insider. ESHRE 2026: Eight Reproductive Health Studies From the Annual Meeting That Caught Our Attention.
Leia também
- Como melhorar a fertilidade masculina
- Análise seminal moderna
- Microplásticos e fertilidade
- Tabaco, álcool, cafeína e fertilidade
- Fragmentação do DNA espermático
Publicado em: 18 de outubro de 2026.

