O drilling ovariano é uma cirurgia por videolaparoscopia que pode ajudar algumas mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) e ausência de ovulação. Hoje, porém, ele não é a primeira opção para todas: costuma ser considerado em situações selecionadas, especialmente quando a indução de ovulação não funcionou ou quando existe outra razão clínica para realizar laparoscopia.
O que é o drilling ovariano?
Também chamado de perfuração ovariana laparoscópica, o procedimento utiliza energia controlada para realizar poucos pontos superficiais no ovário. O objetivo é reduzir temporariamente a produção ovariana excessiva de andrógenos e favorecer a retomada da ovulação em mulheres com SOP anovulatória.
A cirurgia é feita por pequenas incisões no abdome, sob anestesia. O cirurgião visualiza os ovários por câmera e limita cuidadosamente o número e a profundidade dos pontos. A técnica deve ser conservadora para reduzir risco de aderências e de perda desnecessária de tecido ovariano.
Quando o drilling pode ser indicado?
As diretrizes internacionais colocam a cirurgia como uma opção de segunda linha para infertilidade anovulatória associada à SOP, quando não há outros fatores relevantes de infertilidade e o tratamento medicamentoso não produziu resposta adequada. A decisão considera:
- confirmação de que a dificuldade principal é a falta de ovulação;
- resposta prévia a indutores de ovulação, especialmente letrozol ou outras estratégias indicadas;
- idade, tempo de tentativa e outros fatores de infertilidade feminina;
- resultado do espermograma e avaliação das trompas;
- reserva ovariana e risco cirúrgico;
- existência de outra indicação para videolaparoscopia.
Veja também as opções em tratamentos para SOP e fertilidade e a página sobre cirurgias relacionadas à infertilidade feminina.
Drilling ovariano ou indução de ovulação?
Na maioria das mulheres com SOP e infertilidade por anovulação, a abordagem começa por mudanças de saúde quando pertinentes e medicamentos para induzir a ovulação. O letrozol é recomendado como primeira linha em muitas situações, desde que não existam contraindicações ou outros fatores que mudem o plano.
O drilling não substitui uma investigação completa. Ele pode evitar a exposição repetida a determinados medicamentos em casos selecionados, mas envolve anestesia e cirurgia. Por isso, benefício, riscos e alternativas precisam ser comparados para aquela paciente — não apenas para o diagnóstico “SOP”.
Quais são os possíveis benefícios?
- retomada da ovulação espontânea em parte das pacientes;
- menor risco de gestação múltipla do que alguns esquemas com gonadotrofinas;
- possibilidade de investigar ou tratar outra alteração pélvica na mesma laparoscopia, quando isso já é clinicamente indicado.
Não há garantia de gravidez. A chance final depende também da idade, das trompas, do sêmen, da frequência das relações e de outros fatores do casal.
Quais são os riscos e limites?
Além dos riscos gerais de anestesia e laparoscopia, podem ocorrer sangramento, infecção, lesão de estruturas próximas e aderências pélvicas. Energia ou perfurações excessivas podem reduzir tecido ovariano saudável e afetar a reserva ovariana. Esses riscos reforçam a importância de indicação criteriosa e técnica conservadora.
Se não houver ovulação ou gravidez no período definido pela equipe, o plano deve ser reavaliado. Dependendo do conjunto de fatores, podem ser discutidas novas tentativas de indução, inseminação ou fertilização in vitro (FIV).

Perguntas frequentes sobre drilling ovariano
O drilling ovariano é indicado para toda mulher com SOP?
Não. Muitas mulheres ovulam com tratamento medicamentoso e não precisam de cirurgia. A indicação é reservada a casos selecionados após investigação do casal.
O drilling melhora a qualidade dos óvulos?
O objetivo principal é favorecer a ovulação, não “melhorar” diretamente a qualidade genética dos óvulos. A qualidade ovocitária é influenciada sobretudo pela idade e por fatores biológicos individuais.
É possível engravidar naturalmente depois do procedimento?
Sim, algumas pacientes voltam a ovular e podem engravidar naturalmente, desde que não existam outros fatores limitantes. O procedimento não oferece garantia de gestação.
O drilling pode reduzir a reserva ovariana?
Pode haver risco se a intervenção for extensa. Por isso, a técnica deve usar a menor energia e o menor número de pontos necessários, com avaliação prévia da reserva ovariana.
Quando a FIV pode ser mais adequada?
A FIV pode ser considerada quando existem fatores tubários ou masculinos, idade reprodutiva mais avançada, longo tempo de infertilidade ou falha de abordagens anteriores. A escolha é individual.
Planejamento e custos
Não é possível estimar com precisão o custo total antes da avaliação, porque cada protocolo é personalizado e o consumo de medicamentos e insumos depende do caso. Consulte a página de custos dos tratamentos de fertilidade e receba orientação individualizada.
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Revisão médica: Dr. Orestes Prudêncio, CRM MG 25699, RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com 30 anos de pioneirismo em Montes Claros.
Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual.
