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Por que o número de óvulos pode mudar de uma FIV para outra, mesmo com o mesmo protocolo?

    número de óvulos varia entre ciclos de FIV: Ultrassom ovariano mostrando folículos durante acompanhamento da estimulação

    O número de óvulos coletados pode variar entre dois ciclos de fertilização in vitro (FIV) da mesma mulher, inclusive quando o protocolo de estimulação é semelhante. Uma coleta menor, por si só, não demonstra erro no tratamento nem determina o resultado da próxima tentativa. O médico precisa comparar os dados de cada ciclo e avaliar idade, reserva ovariana, crescimento dos folículos, óvulos maduros e objetivo reprodutivo.

    Neste artigo você vai entender:

    • O que um estudo publicado em 2026 observou em coletas consecutivas.
    • Por que AMH e ultrassom ajudam a planejar, mas não fornecem uma contagem exata.
    • O que levar à consulta antes de decidir por outra estimulação.
    • A diferença entre quantidade de óvulos e chance de ter um bebê.

    O que o estudo encontrou?

    Pesquisadores analisaram retrospectivamente 801 pares de ciclos consecutivos de estimulação ovariana, realizados com intervalo de até seis meses, com o mesmo protocolo, tipo de gonadotrofina e doses iniciais e diárias. Metade das pacientes apresentou diferença superior a 33% na quantidade de óvulos recuperados; 381 de 801 (47,6%) mudaram de categoria de resposta ovariana entre os dois ciclos. O trabalho foi publicado na Fertility and Sterility em junho de 2026 e voltou a ser discutido em um Journal Club da ASRM em setembro. Estudo original · Discussão da ASRM

    Esse percentual descreve diferença relativa entre as duas coletas, não a chance de gravidez nem a probabilidade de obter mais óvulos na próxima. Por exemplo, passar de seis para oito óvulos representa diferença aproximada de 33%, embora a mudança absoluta seja de dois. O estudo incluiu pacientes com ao menos um óvulo em cada ciclo e ciclos com congelamento de todos os embriões; seus resultados não devem ser transformados em previsão individual. Como pesquisa observacional retrospectiva, também não identifica uma causa única para a diferença.

    Por que duas coletas podem ter números diferentes?

    Os folículos disponíveis para responder à estimulação e seu crescimento podem variar de um ciclo a outro. Além disso, a comparação clínica considera a contagem de folículos observados em cada ultrassom, a evolução durante a estimulação, a maturação final e o resultado da punção. Se houve mudanças na saúde, nos exames, na medicação ou na condução do ciclo, elas também precisam ser examinadas individualmente. Não é possível concluir, só pelo número final, que determinada dose foi insuficiente ou que a equipe errou.

    Ultrassom ovariano mostrando folículos durante acompanhamento da estimulação.

    À esquerda: folículos visualizados ao ultrassom.

    Óvulos coletados observados ao microscópio em laboratório de reprodução assistida.

    À direita: óvulos coletados observados ao microscópio.

    A quantidade de folículos visualizados não corresponde necessariamente ao número de óvulos maduros obtidos. Imagens do acervo da Fértil.

    O AMH e a contagem de folículos antrais ajudam a estimar a resposta à estimulação. Eles não garantem quantos óvulos serão recuperados em cada tentativa e têm capacidade limitada de prever o nascimento de um bebê isoladamente da idade e do restante do quadro clínico. A diferença entre reserva ovariana, quantidade e qualidade dos óvulos importa especialmente quando se interpreta um ciclo com baixa resposta. Entenda a baixa resposta ovariana.

    Menos óvulos significam que as chances acabaram?

    Não. O número coletado é uma informação relevante, mas a trajetória da FIV inclui maturidade dos óvulos, fertilização, desenvolvimento embrionário e outros fatores clínicos. A idade e o contexto do casal ou da pessoa em tratamento também influenciam a orientação. Nem um número maior garante um bebê, nem uma coleta menor, isoladamente, permite declarar que outra tentativa não vale a pena. Veja como é feita a FIV e como discutir metas de coleta ao congelar óvulos.

    O que avaliar antes de repetir a estimulação?

    Na consulta, vale rever conjuntamente:

    1. Idade, objetivo familiar e tempo disponível para o tratamento.
    2. AMH, contagem de folículos antrais e mudanças clínicas desde a tentativa anterior.
    3. Quantidade de folículos acompanhados, óvulos recuperados e óvulos maduros em cada ciclo.
    4. Doses, duração, resposta ao acompanhamento, medicação de maturação final e momento da punção, conforme o prontuário.
    5. Resultado da fertilização e desenvolvimento embrionário, quando houver.

    Esses dados ajudam o médico a decidir se convém manter ou ajustar o planejamento; o estudo não prova que trocar o protocolo ou aumentar a dose melhora o resultado de toda paciente. Na Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros, a avaliação individualizada pode ser organizada também para pacientes do Norte de Minas e Sudoeste da Bahia.

    Variabilidade não significa equivalência entre protocolos. Reconhecer que o número de óvulos pode variar espontaneamente não autoriza empregar abordagens sem suporte científico adequado nem afirmar que todos os esquemas de estimulação produzem os mesmos resultados. A indicação, as doses e o acompanhamento devem ser fundamentados nas evidências disponíveis e nas características de cada paciente; uma diferença entre coletas exige análise clínica, sem atribuição automática a erro ou à variabilidade biológica.

    Perguntas frequentes sobre a variação de óvulos entre ciclos de FIV

    Coletei menos óvulos na segunda FIV. O tratamento deu errado?

    Não necessariamente. Há variação de resposta entre ciclos, inclusive com protocolo semelhante. A comparação depende dos exames, do acompanhamento dos folículos, do número de óvulos maduros e dos registros de cada estimulação. Uma diferença no total coletado merece revisão clínica, mas não permite, sozinha, determinar erro nem prever o próximo ciclo.

    O mesmo AMH deve resultar no mesmo número de óvulos?

    Não. O AMH ajuda a estimar a resposta ovariana, mas não antecipa uma contagem exata para cada punção. A contagem de folículos antrais, a idade, a resposta anterior e o acompanhamento do ciclo também integram o planejamento. O resultado deve ser interpretado no contexto da paciente, conforme a orientação da ASRM sobre reserva ovariana.

    Devo aumentar a dose dos medicamentos na próxima tentativa?

    Não por conta própria e não apenas por causa do número coletado. A equipe deve revisar os dados do ciclo e definir se existe indicação de ajuste. A pesquisa sobre variação entre coletas não testou uma estratégia de aumento de dose capaz de melhorar resultados para todas as pacientes.

    Uma coleta com poucos óvulos significa que não posso engravidar?

    Não. A quantidade recuperada é apenas uma das informações usadas para aconselhamento. Idade, óvulos maduros, fertilização, embriões e quadro clínico compõem a avaliação. Um resultado menor pode motivar a discussão de outra estratégia ou de mais de uma coleta em situações selecionadas, sem promessa de resultado.

    Em resumo

    • A quantidade de óvulos pode mudar entre duas FIVs da mesma paciente.
    • AMH e ultrassom orientam estimativas, não uma contagem antecipada exata.
    • Menos óvulos em um ciclo pedem análise dos registros, não uma conclusão automática de falha.
    • A decisão sobre nova tentativa ou ajuste de protocolo é individualizada.

    Quer esclarecer seu caso com uma avaliação individualizada? Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp (38) 99730-0133.

    Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699 | RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com atuação pioneira desde 1997 em Montes Claros.

    Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio (CRM-MG 25699 | RQE 8172), Dr. Matheus Coelho Prudêncio (CRM-MG 79730 | RQE 66367) e Rubia Coelho Prudêncio.

    Fontes científicas

    1. Hochberg A et al. Intrapatient variability in the number of retrieved oocytes and ovarian response categories between consecutive in vitro fertilization cycles. Fertility and Sterility. 2026;125(6):1056–1066. DOI: 10.1016/j.fertnstert.2026.03.020.
    2. American Society for Reproductive Medicine. Journal Club Global: discussão sobre a variabilidade entre ciclos. 2026.
    3. American Society for Reproductive Medicine. Testing and interpreting measures of ovarian reserve: a committee opinion. 2020.

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