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SOP mudou de nome para SOMP: o que isso muda para a fertilidade?

    Sala de ultrassonografia da Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros (MG), com aparelho de ultrassom e maca de exame

    A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou a ser chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP; em inglês, PMOS). O novo nome reconhece que a condição vai além dos ovários e não depende de “cistos”. Para quem quer engravidar, a mudança não cria uma nova doença nem altera o tratamento de um dia para o outro: favorece uma avaliação hormonal, metabólica e reprodutiva mais completa.

    Neste artigo você vai entender:

    • por que a SOP recebeu um novo nome e quem decidiu isso;
    • se é necessário ter “cistos” para ter a síndrome;
    • o que muda (e o que não muda) no diagnóstico e no tratamento;
    • como a SOMP pode afetar a ovulação e a fertilidade;
    • quando procurar um especialista em reprodução humana.
    Quer tirar dúvidas sobre o seu caso?
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    Este artigo atualiza o nosso conteúdo sobre o tema e complementa, sem substituir, a página Síndrome dos ovários policísticos (SOP) e fertilidade, além dos guias de tratamentos para SOP e fertilidade e de indução da ovulação. Setembro é, ainda, o mês de conscientização sobre a SOP, e o assunto voltou à pauta da imprensa brasileira.

    Por que a SOP passou a ser chamada de SOMP?

    O termo “ovários policísticos” direcionava a atenção quase só para os ovários. Na prática, a condição envolve regulação hormonal, metabolismo, ciclos menstruais, pele, saúde emocional e fertilidade.

    O novo nome, Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome (PMOS), traduzido no Brasil como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), foi publicado no The Lancet em maio de 2026. Ele resulta de um processo internacional de consenso, liderado por pesquisadores da Universidade Monash (Austrália), que ouviu cerca de 22 mil pacientes, profissionais e organizações ao longo de mais de uma década. Segundo a Society for Endocrinology, 56 organizações de pacientes e de profissionais apoiaram a iniciativa. A condição atinge cerca de 1 em cada 8 mulheres em idade reprodutiva.

    A adoção será gradual: a expectativa é de cerca de três anos de divulgação, com a atualização da diretriz internacional prevista para 2028. Enquanto isso, é normal encontrar em laudos, exames e consultas expressões como SOP, SOMP, SOP/SOMP ou “antiga síndrome dos ovários policísticos”. Todas se referem à mesma condição clínica.

    A SOMP não é causada por cistos nos ovários

    Apesar do nome antigo, o que se vê no ultrassom geralmente não são cistos verdadeiros, e sim pequenos folículos ovarianos cujo desenvolvimento não avançou até a ovulação. Por isso:

    • não é preciso ter “cistos” para ter a síndrome;
    • encontrar muitos folículos no ultrassom, isoladamente, não confirma o diagnóstico;
    • a síndrome não deve ser confundida com cistos ovarianos verdadeiros, que são outra situação;
    • o diagnóstico depende de história clínica, padrão menstrual, sinais de excesso de hormônios masculinos (andrógenos) e exames selecionados.
    Ultrassom transvaginal de ovário em escala de cinza mostrando vários folículos pequenos, escuros e arredondados, dispostos na periferia do ovário
    Ultrassom transvaginal de ovário com vários folículos pequenos distribuídos na periferia. Esse aspecto, isoladamente, não confirma o diagnóstico de SOMP.
    Sala de ultrassonografia da Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros (MG), com aparelho de ultrassom e maca de exame
    A ultrassonografia pode integrar a avaliação, mas não confirma isoladamente o diagnóstico de SOMP.

    O que muda no diagnóstico?

    Por enquanto, o novo nome não trocou os critérios. A avaliação segue a diretriz internacional de 2023, que em adultas considera a presença de dois entre três achados, depois de excluídas outras causas:

    • ovulação irregular ou ausente, muitas vezes percebida por ciclos longos ou espaçados;
    • excesso de andrógenos, clínico (aumento de pelos, acne) ou laboratorial;
    • morfologia ovariana característica, identificada no ultrassom ou, em adultas, pela dosagem do hormônio antimülleriano (AMH).

    Alterações da tireoide, aumento da prolactina e outras condições endócrinas podem causar sintomas parecidos e precisam ser afastadas. O novo nome reforça, ainda, a atenção à saúde metabólica: glicemia, risco de diabetes, pressão arterial e perfil de gorduras no sangue, conforme a indicação individual.

    Como a SOMP pode afetar a fertilidade?

    A principal ligação entre SOMP e dificuldade para engravidar é a ovulação irregular. Quando o folículo não completa o seu desenvolvimento e o óvulo não é liberado, a janela fértil fica imprevisível e há menos oportunidades de concepção ao longo do ano.

    Isso não significa esterilidade. Muitas mulheres com SOMP ovulam de forma espontânea, ainda que irregular, e engravidam naturalmente. Outras respondem bem à indução da ovulação, e uma parte precisa de inseminação ou de fertilização in vitro. O desfecho depende também de idade, tempo de tentativa, condição das trompas, reserva ovariana, saúde do útero e avaliação do sêmen. A investigação não deve atribuir automaticamente toda dificuldade à SOMP. Veja também: SOP dificulta engravidar?.

    Ter muitos folículos significa ter mais tempo para engravidar?

    Não necessariamente. Mulheres com SOMP costumam ter mais folículos antrais e AMH mais alto, o que sugere uma reserva maior em quantidade, mas isso não anula o efeito da idade sobre a qualidade dos óvulos. Ciclos irregulares não devem ser motivo para adiar a avaliação, principalmente a partir dos 35 anos. Entenda melhor em idade, reserva ovariana e fertilidade e em AMH e reserva ovariana.

    O que muda no tratamento para engravidar?

    O nome novo amplia a compreensão da condição, mas não define, sozinho, um tratamento diferente. A escolha continua dependendo do objetivo reprodutivo e das características de cada paciente.

    Saúde metabólica e hábitos de vida

    Quando há resistência à insulina, alteração da glicemia ou excesso de peso, alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento clínico melhoram a saúde geral e, em algumas pacientes, a regularidade da ovulação. Essas medidas não são uma condição para merecer tratamento, e a investigação da fertilidade não deve ser adiada à espera de uma perda de peso.

    Indução da ovulação

    Em mulheres com infertilidade por ausência ou irregularidade da ovulação, sem outros fatores relevantes, a indução pode ser considerada. A diretriz internacional de 2023 recomenda o letrozol como primeira opção medicamentosa nesse cenário, o que não significa que seja indicado para todas as pacientes. O crescimento dos folículos deve ser acompanhado por ultrassonografia, para escolher o momento certo e reduzir riscos, como o excesso de folículos e a gestação múltipla. Saiba mais sobre clomifeno versus letrozol e sobre a indução da ovulação.

    Inseminação intrauterina

    A inseminação intrauterina pode ser considerada em casos selecionados, quando trompas, sêmen, idade e demais fatores são compatíveis com essa estratégia. Ter SOMP, por si só, não define a necessidade de inseminação.

    Fertilização in vitro

    A fertilização in vitro pode ser indicada quando existem outros fatores associados, falhas de tratamentos anteriores, alterações nas trompas ou no sêmen, idade mais avançada ou necessidade de uma estratégia de maior complexidade. Pacientes com SOMP podem ter resposta ovariana intensa às medicações; por isso, a estimulação é individualizada para reduzir o risco de síndrome de hiperestimulação ovariana. O objetivo não é obter o maior número de folículos, e sim uma resposta segura e útil.

    Quando procurar um especialista em reprodução humana?

    Em geral, a avaliação é indicada após 12 meses de tentativas (6 meses a partir dos 35 anos). Na SOMP, porém, ciclos muito irregulares ou ausentes já sugerem um fator que interfere na ovulação, e não vale a pena esperar. Não adie a consulta se houver:

    • idade igual ou superior a 35 anos;
    • menstruações muito espaçadas ou ausência de menstruação;
    • dificuldade persistente para identificar a ovulação;
    • histórico de endometriose ou de cirurgia pélvica;
    • alteração conhecida nas trompas ou no espermograma;
    • perdas gestacionais ou tratamentos anteriores sem gravidez.

    A primeira consulta em reprodução assistida não significa indicação automática de FIV: serve para organizar a investigação e definir o caminho proporcional ao caso.

    Avaliação da SOMP e da fertilidade em Montes Claros

    Na Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros, a investigação pode integrar história menstrual, avaliação hormonal e metabólica, ultrassonografia, estudo das trompas quando indicado e avaliação masculina. Pacientes do Norte de Minas e do Sudoeste da Bahia podem receber orientação sobre quais exames fazer na cidade de origem e quais etapas precisam ser presenciais. O plano considera a saúde global da mulher e o projeto reprodutivo, evitando tanto tratamentos desnecessários quanto perda de tempo quando é preciso agilidade.

    Perguntas frequentes sobre SOMP e fertilidade

    SOP e SOMP são doenças diferentes?

    Não. SOMP é o novo nome da condição antes chamada de Síndrome dos Ovários Policísticos. Durante a transição, as duas siglas vão aparecer em consultas, exames e publicações.

    Quem já tem diagnóstico de SOP precisa refazer todos os exames?

    Em geral, não só por causa do nome. A necessidade de atualizar exames depende dos sintomas, do tempo desde a última avaliação, do tratamento em andamento e do objetivo reprodutivo.

    É obrigatório ter ovários policísticos no ultrassom?

    Não. A morfologia ovariana é apenas um dos componentes possíveis do diagnóstico. Há mulheres com a síndrome sem esse aspecto e mulheres com muitos folículos no ultrassom que não preenchem os demais critérios.

    A SOMP impede a gravidez natural?

    Não. Ela pode reduzir a frequência das ovulações e tornar a janela fértil imprevisível, mas muitas mulheres engravidam espontaneamente. Outras precisam de indução da ovulação ou de reprodução assistida.

    Letrozol é indicado para toda mulher com SOMP?

    Não. Ele pode ser a primeira opção para infertilidade por falta de ovulação relacionada à síndrome, sem outros fatores de infertilidade. Idade, trompas, sêmen, reserva ovariana e histórico clínico podem mudar a escolha.

    Metformina é tratamento para infertilidade?

    Pode ser indicada em contextos metabólicos e reprodutivos específicos, mas não substitui a investigação completa nem é necessária para todas. O uso é individualizado.

    Quem tem SOMP precisa fazer FIV?

    Não. Muitas pacientes engravidam espontaneamente ou com indução da ovulação. A FIV é considerada quando há outras indicações ou quando estratégias anteriores não foram adequadas ou suficientes.

    A idade continua importante mesmo com muitos folículos?

    Sim. Uma contagem alta de folículos não impede o declínio da qualidade dos óvulos com a idade. O planejamento deve considerar idade, tempo de tentativas e objetivos.

    Em resumo

    • SOMP é o novo nome da condição antes chamada de SOP, publicado no The Lancet em maio de 2026.
    • A mudança reconhece que ela envolve aspectos ovarianos, hormonais e metabólicos, e os critérios de diagnóstico seguem os mesmos por enquanto.
    • Não é preciso ter “cistos” nos ovários para receber o diagnóstico.
    • A SOMP pode dificultar a gravidez principalmente por causar ovulação irregular, sem significar esterilidade.
    • O tratamento depende de idade, investigação do casal e presença de outros fatores de infertilidade.
    Quer esclarecer seu caso com uma avaliação individualizada?
    Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp: (38) 99730-0133.

    Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699 | RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com 30 anos de atuação pioneira em Montes Claros.

    Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio, Dr. Matheus Coelho Prudêncio e Rubia Coelho Prudêncio.

    Fontes científicas

    • Teede HJ et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process (2026). The Lancet.
    • Registro do consenso de nomenclatura no PubMed. PubMed 42119588.
    • Society for Endocrinology. Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome (PMOS) is the new name for PCOS (12 mai 2026). Society for Endocrinology.
    • STAT News. PCOS is now called PMOS (12 mai 2026). STAT.
    • Teede HJ et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of PCOS. Human Reproduction, 2023.
    • ASRM. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for PCOS. ASRM.

    Conteúdo educativo; as orientações individuais da equipe assistencial devem ser seguidas.

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