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DHEA antes da FIV ajuda em caso de baixa reserva ovariana? O que a ciência mostra

    Sala de coleta de óvulos no centro cirúrgico da Fértil Reprodução Humana

    A DHEA (desidroepiandrosterona) é um hormônio precursor de andrógenos frequentemente divulgado como suplemento capaz de “melhorar” a reserva ovariana antes da fertilização in vitro. A revisão Cochrane mais atual sobre o tema, publicada em 2024, conclui que a DHEA provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na taxa de nascidos vivos em mulheres com baixa resposta ovariana — ao contrário do que sua popularidade em fóruns e redes sociais sugere.

    Neste artigo você vai entender:

    • O que é a DHEA e por que ela é oferecida a mulheres com baixa reserva ovariana
    • O que mostra a revisão Cochrane mais recente (2024) sobre DHEA e testosterona na reprodução assistida
    • Como a HFEA (agência reguladora de reprodução assistida do Reino Unido) avalia o uso da DHEA nesses casos
    • Quais são os riscos e efeitos colaterais já descritos
    • Como a baixa reserva ovariana é avaliada e tratada na Fértil, em Montes Claros
    Já ouviu falar em DHEA para melhorar a reserva ovariana e quer entender se faz sentido para o seu caso?
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    O que é a DHEA e por que é oferecida antes da FIV?

    A DHEA é um hormônio produzido principalmente pelas glândulas adrenais, que funciona como precursor de andrógenos (hormônios masculinos, também presentes em menor quantidade no corpo feminino) e, por uma via metabólica indireta, de estrogênio. Em alguns países, a DHEA é vendida como suplemento de venda livre; no Brasil, seu uso para essa finalidade depende de prescrição e acompanhamento médico.

    A hipótese que motivou seu uso em reprodução assistida é a de que um ambiente folicular com mais andrógenos poderia favorecer o recrutamento e a sensibilidade dos folículos ovarianos aos hormônios usados na estimulação, com o objetivo teórico de melhorar a quantidade ou a qualidade de óvulos recuperados em mulheres com baixa reserva ovariana ou baixa resposta a tratamentos anteriores de fertilização in vitro. Assim como no caso de outras intervenções adicionais, é importante separar a hipótese biológica — plausível e estudada há mais de uma década — do que os estudos efetivamente comprovaram em termos de resultado clínico.

    Visão geral do laboratório de fertilização in vitro da Fértil Reprodução Humana
    O laboratório de fertilização in vitro da Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros, onde óvulos e embriões são manipulados com protocolos padronizados e baseados em evidência.

    A DHEA aumenta a chance de gravidez? O que mostra a Cochrane (2024)

    A revisão sistemática Cochrane “Androgens (dehydroepiandrosterone or testosterone) for women undergoing assisted reproduction technology”, atualizada em 2024, reuniu 28 estudos randomizados com 3.002 mulheres, a maioria classificada como baixas respondedoras à estimulação ovariana convencional, com busca de evidências até janeiro de 2024. É atualmente a melhor síntese de evidência disponível sobre o tema.

    Para a DHEA especificamente, a conclusão é direta: a revisão aponta que o uso de DHEA “provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença” na taxa de nascidos vivos ou de gravidez em andamento, com certeza moderada de evidência. Em termos práticos, os autores estimam que, se a chance de nascido vivo sem qualquer intervenção adicional for de cerca de 12%, o uso de DHEA deixaria essa chance entre 12% e 20% — uma variação que pode refletir benefício discreto, nenhum efeito real, ou apenas o acaso, e que está longe de confirmar o tipo de “melhora garantida” frequentemente sugerido em divulgações não científicas.

    Curiosamente, a mesma revisão encontrou um sinal mais favorável para a testosterona (outro andrógeno, usado por via diferente), com certeza moderada de que ela “provavelmente melhora” a taxa de nascidos vivos nesse grupo de pacientes. Esse contraste é importante: mostra que andrógenos não formam um grupo uniforme, e que tratar DHEA e testosterona como equivalentes — como costuma ocorrer em conteúdos informais sobre o tema — não corresponde ao que a evidência atual mostra para cada substância isoladamente. A certeza da evidência para os diferentes desfechos avaliados na revisão variou de moderada a muito baixa, principalmente pela falta de cegamento em parte dos estudos, relato incompleto de métodos e número pequeno de eventos e participantes em vários braços de tratamento.

    O que diz a HFEA sobre a suplementação de DHEA?

    A Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA), agência que regula a reprodução assistida no Reino Unido, mantém uma avaliação pública de “add-ons” (intervenções adicionais) oferecidos em tratamentos de fertilidade, usando um sistema de sinais (verde, âmbar, cinza, preto e vermelho) para resumir o nível de evidência de cada um.

    Para mulheres com baixa resposta ovariana ou reserva ovariana diminuída, a HFEA classifica a suplementação com DHEA com sinal preto, tanto para número de óvulos coletados quanto para taxa de nascidos vivos — o que, na escala da agência, significa que evidência de qualidade moderada a alta mostra que esse add-on não tem efeito sobre esses desfechos nesse grupo de pacientes, ao avaliar os estudos de DHEA em conjunto. Já a testosterona, para o mesmo grupo de pacientes, recebe sinal cinza por parte da HFEA, que considera a evidência de qualidade moderada/alta ainda insuficiente para classificar sua eficácia — uma avaliação um pouco mais cautelosa do que a conclusão da revisão Cochrane de 2024 citada acima, o que reforça que esse é um tema em que a leitura da evidência ainda está sendo refinada.

    No Brasil, a Resolução CFM nº 2.320/2022, que normatiza a reprodução assistida, estabelece como critério geral que as técnicas empregadas só podem ser utilizadas quando existir possibilidade real de sucesso e baixa probabilidade de risco grave à paciente ou ao possível descendente — critério que se aplica a qualquer suplementação ou intervenção adicional oferecida dentro de um tratamento de reprodução assistida.

    Quais são os riscos da suplementação com DHEA?

    Por ser um precursor de andrógenos, a DHEA pode causar efeitos colaterais androgênicos, como acne, pele e cabelos mais oleosos, crescimento de pelos em padrão masculino (hirsutismo) e, em uso prolongado ou em doses não orientadas, alterações na voz. Os estudos incluídos nas revisões disponíveis relatam esses eventos com frequência variável e, em geral, de intensidade leve, mas os dados sobre segurança a longo prazo e sobre o perfil lipídico (gorduras no sangue) ainda são limitados.

    Outro ponto relevante é que, em países onde a DHEA é vendida livremente como suplemento, a dose, a pureza e a procedência do produto variam bastante — o que não se aplica da mesma forma no Brasil, onde seu uso para esse fim exige prescrição médica e acompanhamento, exatamente para reduzir esse tipo de risco. Como em qualquer intervenção adicional sem benefício comprovado de forma consistente, existe ainda o risco de se investir tempo em algo que não muda o resultado final, o que pode ser relevante para mulheres com baixa reserva ovariana, para quem o tempo tende a ser um fator importante na decisão terapêutica.

    Vale a pena tomar DHEA antes da FIV?

    A resposta não é um “sim” ou “não” genérico. A revisão Cochrane de 2024 não encontrou benefício consistente da DHEA sobre a taxa de nascidos vivos, e a HFEA classifica seu uso com sinal preto para mulheres com baixa resposta ovariana — o que indica que a suplementação isolada não deve ser apresentada como solução para esse problema. Ao mesmo tempo, a mesma literatura aponta um sinal mais favorável para a testosterona no mesmo contexto clínico, o que mostra que a pesquisa sobre andrógenos na reprodução assistida ainda está em evolução e que decisões nessa área devem acompanhar a evidência mais atual, não apenas repetir o que já foi divulgado sobre o tema.

    Por isso, a indicação (ou não) de qualquer suplementação androgênica deve ser discutida individualmente com a equipe médica, considerando idade, grau de reserva ovariana, resposta a tratamentos anteriores e os objetivos do tratamento — e não decidida com base apenas em relatos informais ou em divulgação nas redes sociais.

    Avaliação da baixa reserva ovariana em Montes Claros

    Na Fértil Reprodução Humana, a avaliação da reserva ovariana é feita com exames consolidados — hormônio antimülleriano (AMH), contagem de folículos antrais por ultrassonografia e, quando indicado, outros marcadores hormonais —, seguida de uma conversa individualizada sobre as opções de tratamento com respaldo científico disponíveis para cada caso. Pacientes de Montes Claros, do Norte de Minas e do Sudoeste da Bahia que tragam dúvidas sobre suplementos e técnicas divulgadas nas redes sociais, como a DHEA, recebem orientação clara sobre o que a evidência atual mostra, antes de qualquer decisão sobre o tratamento.

    Perguntas frequentes sobre DHEA antes da FIV

    A DHEA aumenta a reserva ovariana?

    As evidências atuais não comprovam esse benefício de forma consistente. A revisão Cochrane de 2024 encontrou pouca ou nenhuma diferença na taxa de nascidos vivos com o uso de DHEA em mulheres com baixa resposta ovariana, e a HFEA classifica a suplementação com sinal preto (sem efeito) para esse grupo, tanto na quantidade de óvulos coletados quanto na taxa de nascidos vivos.

    A DHEA é segura?

    Os efeitos colaterais descritos são principalmente androgênicos — acne, oleosidade da pele e dos cabelos e hirsutismo — geralmente leves, mas os dados sobre segurança em uso prolongado ainda são limitados. No Brasil, seu uso para fins reprodutivos deve sempre ser prescrito e acompanhado por um médico.

    Quem costuma considerar o uso de DHEA antes da FIV?

    Geralmente, mulheres com baixa reserva ovariana ou resposta ovariana baixa em ciclos anteriores de fertilização in vitro, muitas vezes depois de lerem relatos informais sobre o suplemento em grupos de pacientes ou redes sociais.

    Existe alguma recomendação oficial sobre a DHEA?

    Sim. A HFEA (Reino Unido) classifica a suplementação com DHEA com sinal preto para mulheres com baixa resposta ovariana, indicando evidência de qualidade moderada a alta de que não há efeito sobre o número de óvulos coletados nem sobre a taxa de nascidos vivos nesse grupo.

    A testosterona é diferente da DHEA nesse contexto?

    Sim. Apesar de ambas serem andrógenos, a revisão Cochrane de 2024 encontrou um sinal mais favorável para a testosterona do que para a DHEA na taxa de nascidos vivos de baixas respondedoras, e a HFEA avalia as duas substâncias de forma distinta. Isso reforça que a decisão sobre qualquer suplementação androgênica deve ser individualizada e discutida com a equipe médica.

    Em resumo

    • A DHEA é um precursor hormonal às vezes oferecido a mulheres com baixa reserva ovariana antes da fertilização in vitro, com base na hipótese de melhorar a resposta folicular.
    • A revisão Cochrane de 2024, com 28 estudos e mais de 3.000 mulheres, mostra que a DHEA provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na taxa de nascidos vivos em baixas respondedoras.
    • A HFEA (Reino Unido) classifica a DHEA com sinal preto para esse grupo de pacientes, tanto para número de óvulos coletados quanto para nascidos vivos.
    • A mesma literatura aponta um sinal mais favorável para a testosterona no mesmo contexto, o que mostra que nem todo andrógeno deve ser avaliado da mesma forma.
    • A decisão sobre qualquer suplementação adicional na baixa reserva ovariana deve ser sempre individualizada, feita em consulta com a equipe médica.

    Quer esclarecer seu caso com uma avaliação individualizada? Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp: (38) 99730-0133.

    Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699, RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com atuação pioneira em Montes Claros desde 1997.

    Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio, Dr. Matheus Coelho Prudêncio (CRM-MG 79730, RQE 66367) e Rubia Coelho Prudêncio.

    Fontes científicas

    Conteúdo educativo; as orientações individuais da equipe assistencial devem ser seguidas.

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    Publicado em: 18 de outubro de 2026.

    #DHEA #ReservaOvariana #FertilizaçãoInVitro #FertilidadeFeminina #FértilReproduçãoHumana

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