Add-ons na FIV são testes, medicamentos ou técnicas oferecidos além do tratamento padrão de FIV, em geral com custo adicional. A diretriz de boas práticas da ESHRE reúne 42 recomendações sobre o tema e deixa claro que a base de evidências é limitada: nenhuma delas se apoia em evidência de alta qualidade, e apenas quatro em evidência moderada. Por isso, antes de pagar por um extra, vale perguntar qual é a chance real de aumentar o nascimento de um bebê no seu caso.
Neste artigo você vai entender:
- O que são add-ons e por que o assunto ganhou atenção
- O que a ESHRE diz sobre cada grupo de complementos
- Quais têm indicação em situações específicas
- Perguntas para fazer à clínica antes de aceitar um extra
- Como a Fértil conduz essa conversa
O que são add-ons na FIV (complementos do tratamento)
A ESHRE define add-ons como opções oferecidas além dos procedimentos habituais de fertilidade, geralmente com custo extra. Eles incluem exames, medicamentos, equipamentos, procedimentos de laboratório e cirurgias. Um mesmo recurso pode ser add-on em uma clínica e rotina em outra: a ICSI, por exemplo, é indicada quando há fator masculino, mas pode ser usada de forma rotineira em outros contextos. Para entender melhor as etapas básicas, veja o guia completo sobre FIV e como funciona a estimulação ovariana.
O que a diretriz da ESHRE conclui sobre a qualidade das evidências
A diretriz de boas práticas da ESHRE sobre add-ons traz 42 recomendações, divididas em diagnóstico, intervenções de laboratório e manejo clínico. Segundo o texto, nenhuma recomendação se apoia em evidência de alta qualidade e apenas quatro em evidência de qualidade moderada. As recomendações usam quatro expressões padronizadas: “recomendado”, “pode ser considerado”, “atualmente não recomendado para uso clínico de rotina” e “não recomendado”.
O documento também enfatiza que o paciente deve receber informações completas sobre as opções e sobre a probabilidade de que o complemento aumente a chance de nascido vivo, para ter expectativas realistas. O custo é uma preocupação recorrente: o PGT-A, por exemplo, é descrito como caro e frequentemente repassado ao paciente.

O que a ESHRE não recomenda, ou não recomenda para uso de rotina
Segundo o texto da diretriz, entre os complementos que não são recomendados estão: os atuais testes de receptividade endometrial; os testes imunológicos de sangue periférico e de células NK uterinas; tratamentos imunomoduladores como Intralipid e imunoglobulina; meios de cultura com fatores de crescimento (como GM-CSF); o assisted hatching; a ativação in vitro de folículos dormentes; e a substituição mitocondrial.
Já os itens descritos como “atualmente não recomendados para uso clínico de rotina” incluem: histeroscopia de rotina antes da FIV; PGT-A; maturação in vitro de ovócitos; teste de fragmentação do DNA espermático; seleção espermática por ligação ao ácido hialurônico (PICSI), por MACS e IMSI.
“Não recomendado para rotina” não significa que a técnica nunca deva ser usada: significa que, para a população geral de pacientes, a evidência ainda não mostra ganho consistente em nascimentos. Em situações específicas, o médico pode considerar de modo individualizado.
O que tem indicação em situações específicas
A diretriz também lista complementos que podem fazer sentido em contextos bem definidos. A ativação artificial de ovócitos é recomendada em falha completa de ativação (sem nenhum zigoto com dois pronúcleos), fertilização muito baixa ou globozoospermia. A ativação artificial do espermatozoide é recomendada em astenozoospermia total não causada por defeitos do axonema. A histeroscopia pode ser considerada na falha repetida de implantação, e a seleção espermática por microfluidos “pode ser considerada”. Veja também nossos conteúdos sobre falha de implantação após a FIV e time-lapse na FIV.
E o PRP, a cola embrionária e outros extras populares?
Alguns complementos têm literatura crescente, mas ainda controversa. Uma meta-análise de 31 estudos sobre o PRP intrauterino na falha repetida de implantação, comentada no resumo do congresso da ESHRE de 2025 publicado pela EMJ, apontou mais gravidez clínica e nascidos vivos ou gestações em curso, porém com heterogeneidade importante entre os estudos, e os autores pedem novos ensaios randomizados. Leia mais em PRP ovariano, cola embrionária e microbioma endometrial.
Perguntas que vale fazer antes de aceitar add-ons na FIV
- Para quem esse complemento foi estudado e o meu caso é semelhante?
- Qual é a evidência de que ele aumenta a chance de bebê em casa, e não apenas um resultado de laboratório?
- Quais são os riscos e as desvantagens?
- Quanto custa e o que acontece se eu não o fizer?
- Existe alternativa mais simples ou mais barata?
Entender os valores do tratamento também ajuda a decidir: veja quanto custa a fertilização in vitro em Montes Claros.
Add-ons e FIV em Montes Claros: como conduzimos na Fértil
Na Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros (MG), a indicação de cada recurso é discutida caso a caso, com explicação sobre o que se sabe e o que ainda não se sabe, sem prometer resultado. Se você já tem uma proposta de tratamento com extras e deseja uma segunda leitura, agende uma primeira consulta (também possível por telemedicina) ou conheça nossa clínica de FIV em Montes Claros.
Perguntas frequentes sobre add-ons na FIV
O que significa add-on na FIV?
É um teste, medicamento, técnica de laboratório ou cirurgia oferecido além do tratamento padrão, geralmente com custo adicional. Nem todo add-on tem comprovação de que aumente a chance de nascimento.
Quantos add-ons a ESHRE avaliou?
A diretriz de boas práticas da ESHRE traz 42 recomendações sobre add-ons, divididas em diagnóstico, intervenções laboratoriais e manejo clínico. Nenhuma se apoia em evidência de alta qualidade e apenas quatro em evidência moderada.
O PGT-A é recomendado para todos os pacientes?
Segundo a diretriz da ESHRE, o PGT-A é atualmente não recomendado para uso clínico de rotina. Isso não impede que o médico discuta sua indicação em situações individuais, explicando benefícios, limites e custo.
O assisted hatching melhora a chance de gravidez?
A diretriz da ESHRE não recomenda o assisted hatching como complemento. Em casos muito específicos, o médico pode ponderar seu uso, mas ele não é considerado rotina.
Add-ons na FIV são sempre ruins?
Não. Alguns têm indicação em situações bem definidas, como a ativação artificial de ovócitos em falha completa de ativação. O ponto central é que o complemento deve ser indicado por um motivo claro, com informação transparente sobre benefício, risco e custo.
Como saber se um extra vale a pena no meu caso?
Pergunte ao médico para quem o complemento foi estudado, qual a evidência de aumento de nascidos vivos, quais os riscos, quanto custa e se existe alternativa mais simples. A resposta depende da sua idade, do histórico e do diagnóstico.
Em resumo
- Add-ons são extras além da FIV padrão, em geral com custo adicional.
- A ESHRE reuniu 42 recomendações, mas nenhuma com evidência de alta qualidade e apenas quatro com evidência moderada.
- Vários complementos populares não são recomendados ou não são recomendados para rotina.
- Alguns têm indicação em situações específicas, definidas individualmente.
- Pergunte sempre pela evidência, pelo risco e pelo custo antes de aceitar.
Quer esclarecer seu caso com uma avaliação individualizada? Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp: (38) 99730-0133.
Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699, RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com atuação pioneira em Montes Claros desde 1997.
Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio, Dr. Matheus Coelho Prudêncio (CRM-MG 79730, RQE 66367) e Rubia Coelho Prudêncio.
Fontes científicas
- ESHRE. Good practice recommendations on add-ons in reproductive medicine (42 recomendações; publicadas na Human Reproduction).
- UCL Discovery. Good practice recommendations on add-ons in reproductive medicine (texto completo).
- EMJ. Highlights from ESHRE 2025: Advances in Endometrial Preparation Strategies for Frozen Embryo Transfer.
Leia também
- Embrião mosaico e PGT-A: o que significa
- Para que serve o PGT embrionário
- Técnicas de ICSI
- Por que o embrião não implanta
- Quantas tentativas de FIV fazer
Conteúdo revisado por Dr. Orestes Prudêncio
Dr. Orestes Prudêncio, CRM-MG 25699, RQE 8172, médico especialista em reprodução humana, fundador da Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros, MG.
A Fértil atua exclusivamente com reprodução assistida em Montes Claros desde 1997, tem certificação REDLARA Gold e mais de 5.000 nascimentos. A equipe médica e de embriologia inclui o Dr. Matheus Coelho Prudêncio e a embriologista Rubia Coelho Prudêncio.
As informações deste artigo são educativas e não substituem a avaliação individual.

