Quando o assunto é endometriose e FIV, não existe um caminho único: a conduta depende do tempo de tentativa, da idade, da reserva ovariana, dos sintomas, do estado das trompas e do sêmen do parceiro. Em 2026, a orientação de fertilidade da NICE (Reino Unido) passou a tratar a endometriose em uma trajetória própria, e não mais como infertilidade sem causa aparente. A FIV é uma opção importante, mas nem sempre a primeira.
Neste artigo você vai entender:
- O que mudou na orientação da NICE em 2026 para quem tem endometriose
- Quando esperar, quando operar e quando partir para inseminação ou FIV
- O que a diretriz da ESHRE diz sobre cirurgia antes da FIV e sobre medicamentos de supressão
- Por que a decisão precisa ser individualizada
- Como a avaliação é feita na Fértil, em Montes Claros
Por que a endometriose não é “infertilidade sem causa aparente”
A endometriose é uma condição em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Ela pode causar dor e dificultar a gravidez por mais de um mecanismo, como inflamação pélvica, alterações das trompas e dos ovários e, nos casos com endometrioma, redução da reserva ovariana. Por isso, tratar uma paciente com endometriose como se tivesse “infertilidade sem causa aparente” pode esconder fatores que mudam a conduta.
Foi exatamente esse ponto que a revisão de 2026 da orientação de fertilidade da NICE (órgão do Reino Unido, última revisão em 31 de março de 2026, que substitui a versão de 2013) destacou: a endometriose ganhou uma seção própria, separada da infertilidade sem causa aparente. Vale lembrar que se trata de uma orientação britânica, pensada para o sistema de saúde de lá; ela serve de referência científica, mas não é uma norma brasileira.

O que a NICE recomenda para quem tem endometriose e quer engravidar
Segundo o resumo publicado pela imprensa médica britânica sobre o texto da NICE, a primeira conversa deve incluir duas possibilidades: acompanhar por até dois anos (contando o tempo que o casal já tentou) ou tratar a endometriose por cirurgia, conforme a orientação específica de endometriose da própria NICE.
Se não houver gravidez após dois anos de espera ou após a cirurgia, ou se essas opções não forem adequadas, passa-se a discutir tratamento de fertilidade: até quatro ciclos de inseminação intrauterina com estimulação ovariana, quando apropriado, ou fertilização in vitro como alternativa. A escolha deve considerar o tempo de tentativa, os sintomas e sua intensidade, a idade, a reserva ovariana e eventuais fatores do parceiro, sempre explicando riscos e benefícios e respeitando a preferência da paciente.
O que diz a diretriz da ESHRE sobre endometriose e fertilidade
A diretriz de endometriose da ESHRE (2022) traz recomendações que ajudam a entender por que a decisão não é automática. Em linhas gerais, e quase sempre com força de recomendação fraca, porque a base de evidências é limitada:
- Nos estágios I e II, a laparoscopia operatória pode ser oferecida como opção para a infertilidade associada à endometriose, e a inseminação com estimulação ovariana pode ser usada em vez de apenas esperar.
- Em endometrioma, a cirurgia pode aumentar a chance de gravidez natural, mas faltam estudos comparativos. Na endometriose profunda, não há evidência convincente de que a cirurgia melhore a fertilidade; a decisão costuma se apoiar na dor e na vontade da paciente.
- A FIV pode ser usada, em especial quando há comprometimento das trompas, fator masculino, índice de fertilidade na endometriose (EFI) baixo ou falha de outros tratamentos.
Operar antes da FIV? Quando a cirurgia não ajuda
Esse é um dos pontos em que mais surgem dúvidas. A ESHRE não recomenda cirurgia de rotina antes da FIV nos estágios I e II nem para endometrioma de ovário, justamente porque o benefício não está demonstrado e a cirurgia pode afetar a reserva ovariana. A cirurgia pode ser considerada se houver dor importante ou dificuldade de acesso aos folículos, e na endometriose profunda a decisão deve se apoiar principalmente na dor e na preferência da paciente. Veja também nosso conteúdo sobre endometrioma e reserva ovariana e o guia de cirurgia da endometriose.
A mesma diretriz também desaconselha prescrever supressão ovariana (por exemplo, com pílulas ou análogos) apenas para melhorar a fertilidade, e não recomenda o uso prolongado de agonista de GnRH antes da FIV, por incerteza quanto ao ganho em nascidos vivos. Não há um protocolo de estimulação específico para endometriose: protocolos com agonista ou antagonista podem ser oferecidos conforme preferência e contexto.
Como decidir sobre endometriose e FIV: os fatores que pesam na conduta
Na prática, a decisão costuma reunir alguns elementos: a idade da paciente e o tempo de tentativa; o AMH e a contagem de folículos antrais (veja os exames para investigar infertilidade); a presença de endometrioma e o histórico cirúrgico; a permeabilidade das trompas; a qualidade do sêmen (espermograma); e a intensidade da dor. Quanto mais tempo passa e quanto mais a reserva ovariana está comprometida, menor tende a ser a margem para esperar. Nenhum exame isolado define sozinho o melhor caminho.
Se você já realizou cirurgia ou tem laudos de imagem, leve-os à consulta. Um bom ponto de partida é a primeira consulta de reprodução assistida, em que o histórico é revisto como um todo.
Endometriose e FIV em Montes Claros: como é a avaliação na Fértil
Na Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros (MG), a avaliação de quem tem endometriose e deseja engravidar reúne a história clínica, exames de imagem, avaliação da reserva ovariana e do parceiro, e discussão das opções com a paciente. Para quem mora fora de Montes Claros, a primeira consulta pode ser feita por telemedicina, e muitos exames iniciais podem ser feitos na cidade de origem. Conheça a clínica de FIV em Montes Claros e a página sobre reprodução assistida no Norte de Minas e interior da Bahia.
Perguntas frequentes sobre endometriose e FIV
Endometriose e FIV: a endometriose impede de engravidar?
Não necessariamente. Muitas mulheres com endometriose engravidam, mas a doença pode reduzir a chance em alguns casos. O impacto varia conforme o estágio, a presença de endometrioma, o estado das trompas e a reserva ovariana, e deve ser avaliado individualmente.
Quem tem endometriose precisa fazer FIV?
Não. Dependendo do caso, é possível esperar por um período, operar ou fazer inseminação com estimulação ovariana. A FIV costuma ser considerada quando há trompas comprometidas, fator masculino, reserva ovariana reduzida, falha de outros tratamentos ou tempo limitado.
Devo operar a endometriose antes da FIV?
Em geral, a diretriz da ESHRE não recomenda cirurgia de rotina antes da FIV nos estágios I e II nem para endometrioma, porque o benefício não está demonstrado e a cirurgia pode afetar a reserva ovariana. A cirurgia pode ser considerada, por exemplo, quando há dor importante. A decisão é individual.
Qual a diferença entre inseminação e FIV na endometriose?
Na inseminação intrauterina, os espermatozoides preparados são colocados no útero no período fértil, em geral com estimulação ovariana, e a fecundação ocorre no corpo. Na FIV, a fecundação ocorre no laboratório. A ESHRE aponta a FIV como opção, em especial, quando há trompas comprometidas, fator masculino, EFI baixo ou falha de outros tratamentos.
Existe medicamento para melhorar a fertilidade na endometriose?
A ESHRE não recomenda prescrever supressão ovariana apenas para melhorar a fertilidade, e não recomenda pré-tratamento prolongado com agonista de GnRH antes da FIV. Medicamentos podem ser úteis para a dor, mas isso é uma decisão separada da fertilidade.
A orientação da NICE vale para o Brasil?
A NICE é uma agência britânica e suas orientações são pensadas para o sistema de saúde do Reino Unido. Elas servem como referência científica, mas a conduta no Brasil depende da avaliação do médico, da disponibilidade de recursos e das diretrizes de sociedades como ESHRE, ASRM e SBRA.
Em resumo
- Em endometriose e FIV, a conduta é individual: a endometriose tem trajetória própria de fertilidade e não deve ser tratada como infertilidade sem causa aparente.
- Dependendo do caso, as opções incluem esperar, operar, inseminação com estimulação ou FIV.
- A ESHRE não recomenda cirurgia de rotina antes da FIV nos estágios I e II nem para endometrioma.
- A decisão considera idade, reserva ovariana, trompas, parceiro, sintomas e tempo de tentativa.
Quer esclarecer seu caso com uma avaliação individualizada? Fale com a equipe da Fértil Reprodução Humana pelo WhatsApp: (38) 99730-0133.
Conteúdo revisado pelo Dr. Orestes Prudêncio — CRM-MG 25699, RQE 8172, especialista em Reprodução Humana, com atuação pioneira em Montes Claros desde 1997.
Equipe Fértil Reprodução Humana: Dr. Orestes Prudêncio, Dr. Matheus Coelho Prudêncio (CRM-MG 79730, RQE 66367) e Rubia Coelho Prudêncio.
Fontes científicas
- NICE. Fertility problems: assessment and treatment (última revisão em 31 mar. 2026; substitui a CG156).
- Pulse Today. Updated NICE fertility guidance includes specific path for endometriosis.
- EMJ. New Fertility Guidance Issued for Patients With Endometriosis. 6 abr. 2026.
- ESHRE. ESHRE guideline: endometriosis (2022).
Leia também
- Teste de endometriose com sangue menstrual
- Endometriose e laparoscopia: perguntas frequentes
- ICSI versus inseminação intrauterina
- AMH baixo: ainda dá tempo de congelar óvulos?
- Guia completo sobre FIV
Conteúdo revisado por Dr. Orestes Prudêncio
Dr. Orestes Prudêncio, CRM-MG 25699, RQE 8172, médico especialista em reprodução humana, fundador da Fértil Reprodução Humana, em Montes Claros, MG.
A Fértil atua exclusivamente com reprodução assistida em Montes Claros desde 1997, tem certificação REDLARA Gold e mais de 5.000 nascimentos. A equipe médica e de embriologia inclui o Dr. Matheus Coelho Prudêncio e a embriologista Rubia Coelho Prudêncio.
As informações deste artigo são educativas e não substituem a avaliação individual.

